A Providência resolverá
“A quem muito foi dado, muito será pedido; a quem muito foi confiado, muito mais será exigido” (Lc 12,48). Com essas palavras Jesus nos adverte contra todo tipo de negligência. Ser negligente é uma característica daquele ou daquela que é indolente, preguiçoso, indiferente, daquele ou daquela que se ausenta no momento de exercer suas obrigações.
No entanto, o remédio contra a negligência é indicado por São Paulo, na Carta aos Efésios, na qual ele reflete sobre sua própria vocação: meditar profundamente sobre a grandeza da própria vocação, maravilhar-se diante da generosidade de Deus, pensar não apenas nos deveres, mas sobretudo na misericórdia de Deus e viver na alegria do chamado.
Paulo, assim como tantos outros homens e mulheres, viveram e agiram como o “administrador fiel e prudente”, citado por Jesus no Evangelho. Entre eles está o Frei Moacir Chinelatto, OFMCAp, fundador da Pousada Bom Samaritano, em Dracena. Com certeza ele viveu a alegria da sua vocação! Compreendeu o grande amor com que Cristo o amou! Seu cuidado com as pessoas em situação de dependência alcoólica e química, até o ponto de realizar algo por elas e suas famílias, revela seu coração de administrador fiel e prudente. Juntamente com ele, neste mês, quero lembrar e rezar por todos os que estiveram associados ao seu trabalho, religiosos, leigos e leigas, desde a fundação da Pousada, em 1995, até a presente data. São 27 anos de amor e dedicação.
Outro administrador fiel e prudente foi Luis Orione (1872-1940), um dos maiores exemplos de santidade expressa na caridade. Em 1899, fundou a Pequena Obra da Divina Providência, religiosos empenhados na caridade e em pregar o Evangelho. Quando se tornou sacerdote adotou o lema: “A Providência resolverá”. O zelo missionário de Luis Orione se manifestou com o envio de missionários ao Brasil em 1913. Luís Orione esteve pessoalmente como missionário, duas vezes na América Latina: em 1921 e nos anos de 1934 a 1937, no Brasil, na Argentina e no Uruguai, tendo chegado até o Chile.
Em 1940, atacado por várias doenças de coração, foi forçado pelos médicos e confrades a se retirar para San Remo. Foi para lá protestando: “Não é entre palmeiras que eu quero viver e morrer, mas no meio dos pobres que são Jesus Cristo”. E ali, três dias depois de ter chegado, morreu no dia 12 de março, sussurrando as palavras: “Jesus! Jesus! Estou indo”. São Luís Orione, um autêntico missionário, foi canonizado em 2004, pelo Papa São João Paulo II. Por meio de tão grande testemunho, a partir deste mês, a obra iniciada por Frei Moacir e seus colaboradores, continua sua missão pelas mãos dos filhos de São Luís Orione. Nossa Diocese, que completa 70 anos de sua criação, recebe os orionitas com grande alegria. Sejam bem-vindos!
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
Em tudo, dar prazer a Jesus
Amados diocesanos e diocesanas, um dia disse Jesus aos seus discípulos: “Se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, não entrareis no reino dos Céus” (Mt 18,3). Jesus escolhe “o ícone da criança” quando quer dizer como deve ser um cristão. Entrar na infância espiritual é condição necessária para a santidade e Santa Teresinha é um modelo admirável neste caminho de amor, abandono e confiança.
Em primeiro lugar, não devemos fazer um conceito errôneo da santidade, julgando-a privilégio de alguns e que a ela não poderemos chegar. E essa via comum de santidade, não há dúvida, em nossos dias, é a via da infância espiritual. Santa Teresinha veio nos ensinar, com a sua pequenina via, um meio prático e fácil de realizarmos na vida espiritual as palavras de Jesus.
Uma vez que Jesus nos convida a ser pequenos, a imitar as criancinhas para obtermos o reino dos Céus, entremos na pequenina via da infância espiritual. Deus só fala aos humildes, aos pequenos e só a eles revela os segredos do seu Coração. Reconhecer-se pequeno e pobre é, sem dúvida, a primeira condição para entrarmos na via da infância espiritual. Mas, não basta só reconhecer, é preciso também amar esta pobreza e pequenez.
E a prática do amor na via da infância espiritual pode resumir-se nesta frase: “Fazer tudo para dar prazer a Deus, aproveitando, ainda, as menores ocasiões de oferecer a Jesus pequenos sacrifícios, sempre com alegria, delicadeza e grande generosidade” (Pe. Martin, La Petite Voie).
Assim, como pastor diocesano, peço a todos, povo de Deus, ministros ordenados e fiéis leigos e leigas, não percamos nosso tempo: aproveitemos tudo que fizermos para dar prazer a Jesus. Nossas ações cotidianas, como levantar-se, comer, trabalhar; nossos sofrimentos, tudo isto podemos transformar em atos de amor, se tivermos a reta e delicada intenção de em tudo dar prazer a Jesus, fazer a sua santa vontade e não a nossa.
Neste Mês Missionário, rogo que a visita das relíquias de Santa Teresinha, nos 70 anos de nossa Diocese, suscite em nós, em nossas famílias, e em toda a nossa Igreja Particular, o desejo de amar Jesus e de servi-Lo sempre mais e melhor, na pessoa de nossos irmãos e irmãs, particularmente os mais necessitados. Assim, entraremos todos juntos no seu Reino de amor, justiça e paz! Assim seja!
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
Quem é a “santa dos tempos modernos”?
O Papa São Pio X, referindo-se a Santa Teresinha do Menino Jesus, afirmou: “é uma das maiores santas dos tempos modernos”. Mas quais são os seus grandes milagres? E será que os santos devem ser admirados somente pelos milagres, ou porque foram canonizados para serem imitados? Será que Santa Teresinha, do interior de sua clausura no final do século XIX, tem alguma mensagem para nós hoje?
Vivemos em um mundo secularizado, marcado pela correria de quem não tem tempo a perder, onde o sagrado tem pouco destaque diante das realidades, particularmente das necessidades econômicas. Por isso, a proposta de Santa Teresinha é perfeita para nós hoje: a santidade não se resume a gestos de piedade e longos tempos de oração, mas pode ser encontrada na correria do dia a dia, se cada gesto for realizado com amor.
Cada gesto revestido de amor tem valor de eternidade, porque traz a presença de Deus para aquele gesto, para aquela situação. Agindo assim, temos um antídoto para o mal da modernidade: a depressão. Cada gesto ganha significado pelo amor que n’Ele depositamos, nada será mera repetição, porque o amor traz o brilho da novidade para todas as realidades: “só o amor me atrai”, afirma Santa Teresinha.
Nem o sucesso da santidade ela queria: “não se deve trabalhar para tornar-se santa, mas para dar prazer ao Senhor”. Seu objetivo era viver o amor e, por isso, surpreendeu ao dizer que queria passar o céu fazendo o bem na terra. Para Santa Teresinha, o amor não é um sentimento ou emoção, mas decisão da vontade. Verdade difícil para os dias de hoje, em que os relacionamentos são superficiais e a capacidade de se comprometer é passageira.
Mas Santa Teresinha não seria Doutora da Igreja senão por meio de sua “pequena via” cujos traços fundamentais são: o amor à pequenez e à vida escondida; a confiança, enquanto esperança ilimitada em Deus; o zelo pela missão; a oração pelos pecadores e pelos sacerdotes e o amor como força motora de qualquer gesto. Amar a Deus e dar provas desse amor por Ele e, por isso, um único itinerário: abandonar-se às manifestações da vontade divina.
No combate, o herói é aquele que consegue vencer; o santo, é aquele que deixa Deus triunfar nele. Que a visita das relíquias de Santa Teresinha à nossa Diocese, no Jubileu dos 70 anos de sua criação, nos aproxime de Deus para lhe dar prazer. Compreender isso é perceber o essencial. Santa Teresinha soube reconhecer os sinais dos tempos e, por isso, merece o título de “a maior santa dos tempos modernos”!
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
“Cristo vive! Somos suas testemunhas”
Temos a graça de celebrar mais um Mês Vocacional, na vida e na liturgia de nossas comunidades eclesiais. Tanto o tema do Mês Vocacional: “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” quanto o lema: “Eu vi o Senhor” (Jo 20,18), evocam a experiência pessoal com Jesus Ressuscitado, fonte e núcleo da vocação, a exemplo dos primeiros discípulos. A ênfase na experiência pessoal e no vivencial nos leva a considerar o testemunho como componente chave na vivência da fé.
De fato, o Documento de Aparecida afirma: “Quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidadee alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoas a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo” (n. 145).
Como cristãos que experimentaram o encontro com o Senhor, devemos procurar oferecer a todos com os quais nos encontrarmos o testemunho da experiência pessoal com Jesus Cristo Ressuscitado, uma experiência religiosa profunda e intensa que os leve a dizer: “Eu vi o Senhor”. Isto acontece por meio 01/08 – Missa no Aniversário do Seminário São João Maria Vianney em Brodowski; do anúncio querigmático e do testemunho pessoal dos discípulos missionários, que leva a uma conversão pessoal e a uma mudança de vida integral nos ouvintes.
O poder do Espírito e da Palavra de Deus contagiam as pessoas e as levam a escutar Jesus Cristo, a crer n’Ele como seu Salvador, a reconhecê-Lo como quem dá pleno significado a suas vidas e a seguir seus passos. Assim como aos discípulos, a experiência pessoal com Jesus permite ao cristão aderir de coração e pela fé aos caminhos alegres, luminosos, dolorosos e gloriosos de seu Mestre e Senhor. Peçamos ao Espírito Santo que renove em cada um de nós e particularmente em nossas famílias, a gratidão e o amor pela vocação cristã que recebemos pelo batismo. Sabemos que “a família é o ventre de toda a vocação, uma vez que ali ela é gerada, nutrida e impulsionada à sua plena realização” (Sínodo de 2015). Que sejamos generosos em testemunhar diante do mundo a grande verdade de nossa fé: “Eu vi o Senhor”.
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
Corpus Christi: Sacramento da missão
A Solenidade de Corpus Christi nos convida a renovar nossa fé na presença real de Jesus na Eucaristia, mas também nosso compromisso com a unidade e nossa missão de ser presença de Cristo, como discípulos missionários na Igreja e na sociedade.
Fazer a experiência do encontro com Cristo na Eucaristia é essencial, como afirma o Papa Francisco: “a Eucaristia é o coração palpitante da Igreja, é a única matéria nesta terra que tem verdadeiramente sabor de eternidade”. A Eucaristia é o memorial perene da Paixão de Cristo, o cumprimento perfeito das figuras da Antiga Aliança e o maior de todos os sinais que Cristo realizou. É ainda singular conforto que Cristo deixou para os que se entristecem com sua ausência. Nossa união com Cristo e entre nós acontece através da Eucaristia.
Vale a pena recordar o Documento de Aparecida (2007), quando os bispos afirmam: “A Eucaristia, participação de todos no mesmo Pão de Vida e no mesmo Cálice de salvação, nos faz membros do mesmo corpo (1Cor 10,17). Ela é a fonte e o ponto mais alto da vida cristã, sua expressão mais perfeita e o alimento da vida em comunhão” (DAp 158). No entanto, A Eucaristia não se esgota com a participação no Corpo e Sangue do Senhor. Ela impele-nos à solidariedade para com o próximo.
Portanto, a Eucaristia também é Sacramento da missão, pois o próprio Jesus, diante de uma multidão de famintos, pede a seus discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9,13). A situação do mundo inteiro, agravada pela pandemia do Coronavírus, é de carência de alimentação. E essa alimentação não é útil unicamente para satisfazer a fome física. Existem outros tipos de fome: de amor, de imortalidade, de vida, de carinho, de cuidados, de perdão e de misericórdia.
Os discípulos missionários, fiéis a Cristo, precisam levar em conta aquelas pessoas e aqueles grupos que vivem às margens da sociedade, a fim de que sejam também colaboradores de Deus, sujeitos da evangelização.
Na Ceia Eucarística, apesar de vivermos em meio a sofrimentos e cruzes, antecipamos a festa que no céu nunca se acaba. Dom Hélder Câmara expressou bem essa realidade quando afirmou: “Quanto mais sombria é a noite, mais bela é a Aurora que ela carrega no seio”. A vida eucarística dos discípulos missionários só é plena com a saída de si, com pão em todas as mesas, com a missão.
Feliz e abençoado dia de Corpus Christi, na unidade e na missão!
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
Missão: Aprendendo com Maria
Irmãos e Irmãs, meditando o Evangelho de São Lucas capítulo primeiro, dos versículos de 39 a 45, descobrimos que, depois de escutar e acolher o anúncio do Anjo Gabriel e dar o seu sim para gerar o Filho de Deus, Maria pôs-se a caminho para uma região montanhosa, dirigindo-se apressadamente a uma cidade de Judá, para servir sua prima Isabel, que estava grávida, em idade avançada.
Maria nos ensina, com a prontidão desse gesto, que a visita de Deus faz de nós visitadores daqueles a quem somos chamados a servir. Quando saímos ao encontro de alguém, devemos recordar que estamos imitando o que fez Maria, saindo ao encontro de Isabel. Maria foi ao encontro de Isabel levando Jesus em seu ventre e soube reconhecer nesse gesto a manifestação de Deus, por isso cantou: “A minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador” (Lc 1,47).
Imitemos Maria, a fiel discípula do Senhor, coloquemo-nos em saída e no caminho da vivência da fé, que gera vida e nos liberta do medo. Assim como Isabel, também nós estamos todos precisando de cuidados, pois muitos de nós e boa parte da humanidade andamos feridos, doentes, estressados e ansiosos. Pensemos em Maria, na sua disponibilidade para com Deus, aceitando gerar e cuidar do seu Filho e no seu serviço a Isabel.
Hoje nossa espiritualidade mariana pode se concretizar nos muitos grupos que se reúnem para rezar o terço, suplicando a Maria sua intercessão e proteção, pedindo pelo fim desse tempo pandêmico, pela paz no mundo e tantas outras necessidades.
Rezando com fé veremos a nossa devoção se tornar missão na vida dos pequenos e desamparados, dos doentes e encarcerados, ou seja, daqueles que esperam a manifestação do amor de Deus e o terno amor de Maria.
Vamos aprender com Maria a ser uma Igreja sinodal. Uma Igreja que evangeliza e caminha na comunhão, participação e missão! Feliz mês Mariano!
DOM LUIZ ANTONIO CIPOLINI
BISPO DIOCESANO
Semana de oração pela unidade dos cristãos: orientar-se novamente em Deus
“Permanecei no meu amor e produzireis muitos frutos” (cf. João 15, 5-9) é o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos deste ano. De 18 a 25 de janeiro, as Igrejas e as confissões cristãs são chamadas a refletir, invocando mais intensamente o espírito de comunhão. Os subsídios deste ano foram preparados pelas monjas de Grandchamp, na Suíça, que participarão através do seu site e da página Facebook
Desde 1968, o livreto indicando como rezar com espírito ecumênico, neste tempo, é produzido pela Comissão de Fé e Constituição do Conselho Ecumênico de Igrejas e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Desde 1975, esses textos - leituras bíblicas, comentários e orações para cada dia da semana - são preparados com base em um projeto desenvolvido a cada ano por um grupo ecumênico local em um país diferente. Deste ponto de vista, pode-se dizer que no próprio método se encontra o significado de "ecumenismo": o universal, traduzido literalmente pela esplêndida expressão "terra habitada". O subsídio é proposto com a advertência de que, sempre que possível, deve ser adaptado aos costumes locais, com especial atenção às práticas litúrgicas em seu contexto sócio-cultural e à dimensão ecumênica. Em algumas localidades já existem estruturas ecumênicas capazes de realizar esta proposta e onde estão faltando, espera-se que sejam implementadas.
Calendário da Semana 2021
Ao longo de oito dias, somos convidados a meditar e orar baseados nos diferentes pontos sugeridos pelos versículos da conhecida passagem da videira e o sarmento do evangelista João. No primeiro dia, chamado por Deus: "Vós não me escolhestes, eu vos escolhi" (Jo 15, 16a); no segundo, Amadurecendo internamente: "Permanecei em mim, como permaneço em vós" (Jo 15, 4a); no terceiro, formando um só corpo: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15, 12b). Depois, no quarto dia será feita uma reflexão sobre o profundo sentido de orar juntos: “Já não vos chamo servos... chamo-vos amigos (Jo 15, 15). No quinto dia deixando-se transformar pela Palavra: “Vós já estais purificados pela palavra (Jo 15, 3). No sexto dia acolhendo outros: “Ide produzir frutos, frutos que permaneçam (Jo 15, 16b). Crescendo na unidade é o aspecto que se dará atenção no sétimo dia: “Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos” (Jo 15, 5a), para concluir, no oitavo dia reconciliando com toda a criação: “Para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja perfeita” (Jo 15,11).

As monjas da Comunidade de Grandchamp
A Comunidade de Grandchamp reza em quarentena
A Comunidade de Grandchamp, na Suíça - à qual foi confiada a tarefa de escrever os textos do subsídio para este ano - é atualmente formada por cerca de cinquenta irmãs de diferentes tradições cristãs e de diferentes países. Fundada na primeira metade do século XX, desde o início cultivou fortes laços tanto com a Comunidade de Taizé quanto com o Padre Paul Couturier, figura chave na história da Semana de Oração. As religiosas estão em isolamento desde 5 de janeiro por causa do coronavírus. Acostumadas a viver o carisma da abertura ao diálogo e ao encontro, tiveram que, lamentavelmente, reorganizar sua vida em conjunto: cada uma reza de seu próprio quarto, tiveram que fechar as portas da acolhida, cancelar as celebrações planejadas. Porém os sinos do meio-dia continuam a bater. "A pandemia não pode parar a oração", escreve-nos a Irmã Svenja, convidando-nos a seguir as atualizações online que continuarão a organizar. "Talvez este seja o tempo para alimentar a oração pessoal", lemos na página Facebook delas, "e para viver ainda mais profundamente o tema que preparamos".
Palavras do Papa Francisco para a unidade
A preocupação com os mais pobres e o apelo a reforçar nas sociedades o princípio da solidariedade; o convite a mostrar hospitalidade aos fracos e perseguidos: estes foram os destaques expressos pelo Papa Francisco por ocasião da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos em 2019 e 2020. Um ano atrás, em particular, o Pontífice lembrou que o barco em que Paulo estava, antes de encalhar perto da costa de Malta, estava à mercê da tempestade há vários dias, e enquanto todos estavam perdendo toda a esperança de sobrevivência, era o apóstolo que os tranquilizava, ele que era um prisioneiro e, portanto, um dos mais vulneráveis. Estávamos no início da pandemia, ainda imprevisível e desconhecida, que teria devastado o planeta. A humanidade ainda está na tempestade, a humanidade que o Papa teria evocado novamente no extraordinário momento de oração na deserta Praça de São Pedro no dia 27 de março passado. A unidade ainda se torna um desejo inevitável, uma urgência, uma esperança. Novamente a oração é tão necessária.
Fonte: Semana de oração pela unidade dos cristãos: orientar-se novamente em Deus - Vatican News
Manaus vive "uma realidade de morte", mas também de solidariedade
De “quentinhas” oferecidas nas portas dos hospitais aos familiares que esperam por notícias dos pacientes internados por Covid-19 à campanha do Regional Norte 1 da CNBB para arrecadar fundos para a compra de oxigênio: assim a Igreja Católica procura amenizar a dramática situação vivida pela população do Amazonas. Até esta segunda-feira (18) de manhã, já tinham sido arrecadados cerca de 170 mil reais. "Estamos vivendo uma tragédia em Manaus nos últimos dias, mas ao mesmo tempo também somos chamados a ser sinal de esperança e a acompanhar tanta gente que está sofrendo”, afirma em depoimento ao Vatican News, o missionário espanhol, Pe. Luis Miguel Modino.
“A realidade é uma realidade de morte; e de morte de pessoas próximas. Nos últimos dias, a gente constantemente fica sabendo de pessoas conhecidas, ou próximas que estão morrendo. É verdade que muita gente está se empenhando em tentar ajudar e, entre elas, está evidentemente a nossa Igreja católica.”
Nesta segunda-feira (18), o Amazonas já passou dos 230 mil casos testados positivos ao coronavírus e mais de 6 mil pessoas que morreram vítimas da doença. Manaus é a cidade mais prejudicada. A taxa de ocupação de leitos para a doença é de 98,85%, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, e as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com Covid-19 estão lotadas em 90,29%.
Além de Manaus, o apoio está sendo estendido a toda a população do Estado do Amazonas, porque a situação começa a ficar complicada inclusive pelas cidades do interior, explica o padre Modino: “ontem à tarde, na cidade de Itacoatiara, que é uma das maiores cidades do interior do Amazonas, a situação era crítica: faltava oxigênio no hospital da cidade e o risco de vir a falecer muitas pessoas era grande.”
A corrida por oxigênio e a solidariedade
O Amazonas começou a abastecer o estoque de oxigênio para atender à demanda dos hospitais que carecem do insumo para impedir a morte de pacientes internados com Covid-19 e outras doenças. O próprio Regional Norte 1 da CNBB está se articulando com outras sedes regionais, como por exemplo a do Rio de Janeiro, para enviar oxigênio ao Amazonas; além de promover uma campanha para arrecadar fundos para a compra de oxigênio, que foi intitulada “Amazonas e Roraima contam com sua solidariedade”:
“Até agora mesmo, nesta segunda-feira de manhã, já foram arrecadados mais ou menos 170 mil reais, mas com certeza vai chegar muito dinheiro nas próximas horas porque muitas paróquias, dioceses, empresas e pessoas físicas aqui no Brasil estão se solidarizando e muito. Existe um sistema dificuldade muito grande para conseguir oxigênio aqui em Manaus e a logística aqui na Amazônia sempre foi complicada. E, no Estado do Amazonas, onde a maioria das comunicações são através dos rios, essa logística é ainda mais complicada. Também temos aproveitadores, aqui em Manaus: o preço do oxigênio praticamente dobrou na última semana.”
Todo apoio é válido
A solidariedade, porém, como destaca o padre Modino, é um instrumento valioso nesse cenário, já que muitas paróquias e áreas missionárias de Manaus estão se mobilizando como podem para amenizar o sofrimento da população já tão provada pelas consequências da pandemia.
“Gente que está preparando comida – as quentinhas – para distribuir na porta dos hospitais e na porta dos serviços de pronto-atendimento, que são pequenos hospitais que existem aqui em Manaus. Distribuindo comida para os familiares que estão na porta, esperando notícias dos doentes. Ninguém pode entrar no hospitais, mas as pessoas continuam esperando na porta – muitas vezes durante horas por notícias que não chegam.”
Padre Modino, finaliza seu testemunho direto de Manaus, pedindo uma corrente de solidariedade e de orações:
“A gente pede orações. Temos certeza de que isso está acontecendo no Brasil e no mundo, de muita gente estar rezando por Manaus para que esta situação possa melhorar e para que a gente possa cuidar daqueles que estão sofrendo tanto. Também as famílias que, nesses últimos dias, estão perdendo seus entes queridos – são muitas pessoas que estão morrendo, mais do que aparecem nas estatísticas. Como exemplo, podemos dizer que na sexta-feira (15), em Manaus, foram sepultadas 213 pessoas e, dessas, 30 faleceram em casa sem atendimento médico. A média de sepultamento semanal antes do início da pandemia era de 28 a 30 pessoas; o que nos diz que, provavelmente, na sexta-feira (15), faleceram em Manaus, vítimas da Covid, mais de 180 pessoas. Quando nas estatísticas só apareceram 50. Isso pode nos ajudar também a sermos conscientes da tragédia que estamos vivenciando em Manaus nos últimos dias, mas ao mesmo tempo também somos chamados a ser sinal de esperança e acompanhar tanta gente que está sofrendo.”
Fonte: Manaus vive "uma realidade de morte", mas também de solidariedade - Vatican News
Pastoral Carcerária nacional irá lançar relatório “a pandemia da tortura no cárcere”
A Pastoral Carcerária Nacional vai lançar, nesta sexta-feira (22), o relatório “A Pandemia da Tortura no Cárcere”, fruto da análise de casos e denúncias relacionadas à pandemia do coronavírus recebidas pela Pastoral ao longo de 2020. O evento de lançamento ocorrerá às 15 horas e será transmitido online, pelo Facebook e Youtube da Pastoral.
O relatório
A Pastoral Carcerária Nacional recebeu, entre 15 de março e 31 de outubro de 2020, 90 denúncias de casos de tortura, envolvendo inúmeras violações de direitos em diversas unidades prisionais espalhadas pelo país. Em 2019, a Pastoral recebeu 53 casos neste mesmo período.
A violação ao direito à saúde da população privada de liberdade foi central nas denúncias recebidas no ano passado: cerca de 67 dos 90 casos(74,44%) dizem respeito à negligência na prestação da assistência à saúde.
A violência e tortura também persistem, ampliados pelo maior fechamento do cárcere devido à pandemia: 53 casos de tortura recebidos pela Pastoral Carcerária envolveram agressões físicas, 52 diziam respeito à condições humilhantes e degradantes de tratamento – tais como ausência de banho de sol, e 52 envolveram negligência na prestação da assistência material – considerando, exemplificadamente, precário fornecimento de alimentação, vestuário, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, dentre outros.
Além dos dados gerais, familiares, ativistas e pesquisadores da questão prisional refletem em artigos presentes no relatório sobre o uso da pandemia como forma de tortura, que fortalece a estrutura racista e violenta do cárcere, bem como seu impacto nas diversas populações presas, como as mulheres, a população LGBTI+, os indígenas e os presos do sistema socioeducativo.
Serviço
Lançamento do relatório “A Pandemia da Tortura no Cárcere”
Data: 22 de janeiro, sexta-feira
Hora: às 15
Local: Facebook e Youtube da Pastoral
Contato: imprensa@carceraria.org.br / (11) 9977-10792 (José Coutinho)
Fonte: Pastoral Carcerária Nacional irá lançar relatório "A Pandemia da Tortura no Cárcere" | CNBB
Sacerdotes recebem homenagens do poder público
Em torno dos anos em que atuaram em suas respectivas paróquias, os padres Danilo Nobre, Evandro César e Luiz Henrique, realizaram inúmeras ações sociais que beneficiaram não só os católicos, mas também toda a população onde exerceram o ministério sacerdotal
No final de 2020 e início de 2021, os então padres responsáveis pelas paróquias Nossa Senhora Rosa Mística, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ambas de Marília, e Nossa Senhora Aparecida, de Ouro Verde, foram homenageados por ocasião de suas despedidas nos ofícios paroquiais.

A homenagem na Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística ao Pe. Danilo Nobre dos Santos ocorreu no dia 22 de dezembro, onde recebeu a congratulação em honra ao mérito pelo vereador Wilson Damasceno, com presença do prefeito Daniel Alonso e do vice-prefeito, Cícero do Ceasa, devido aos serviços prestados na cidade de Marília, tendo destaque à construção em, tempo recorde do templo que abriga a sede paroquial.
"O sentimento é o de muita gratidão a Deus que me concedeu saúde e condições para conduzir esta parcela do povo de Deus, na querida cidade de Marília que, há 15 anos atrás, me acolhera para o início dos estudos no Seminário Diocesano. Gratidão aos bispos Dom Osvaldo Giuntini e Dom Luiz Antonio Cipolini, pela confiança em mim depositada. Sob a graça de Deus, fizemos o melhor que poderíamos ter feito. Agora o sentimento é de preparação para encarar os novos desafios na próxima comunidade que me acolherá em breve", revelou padre Danilo que, no próximo domingo, dia 24, será apresentado na Paróquia Sant'Ana, de Herculândia.

No primeiro domingo de 2021, dia 3 de janeiro, às 9h, na Capela Nossa Senhora Auxiliadora, foi homenageado o ex-pároco da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, de Marília, Pe. Evandro César Batista Ribeiro. O ato foi realizado pelo atual líder da Câmara Municipal, o vereador Marcos Rezende, conforme relatado pelo sacerdote, o reconhecimento é fruto das ações sociais realizadas nos três anos em que atuou na Paróquia.
“Eu fui surpreendido com a homenagem, com o momento onde o presidente da Câmara se pronunciou durante a Missa, dizendo que estava sendo homenageado por honra ao mérito a tudo que eu desempenhei, que é de costume do sacerdócio, porém tendo um envolvimento mais direto com toda as ações sociais não só da Igreja Católica mas de toda cidade, visando o bem não só do cristão, mas sim de todo povo mariliense. A importância de receber essa homenagem, não é só o reconhecimento das coisas que eu fiz, até porque não se deve fazer o bem esperando reconhecimento, porém saber que eu faço parte de uma comunidade que eu amo muito e que pelo menos nesta ação pude deixar a minha assinatura como sendo parte da história do município”, disse o sacerdote que foi enviado à Espanha pela Diocese de Marília nos primeiros dias do ano para se especializar em Direito Canônico.

Na Paróquia Nossa Senhora de Aparecida, de Ouro Verde, o pároco, Pe. Luiz Henrique de Araújo, recebeu o título de cidadão ouro-verdense. A celebração ocorreu no dia 30 de dezembro, às 19h30, com a presença do poder público da cidade. A entrega do título foi feita no final da Missa. “Fiquei muito feliz e honrado com a homenagem, e só externa o amor que eu já tenho pela cidade”, realça o padre que na próxima sexta-feira, dia 22, assume a Paróquia São Pedro Apóstolo, de Tupã.
No último dia 30 de novembro, o então pároco e reitor do Santuário Nossa Senhora de Fátima, de Dracena, Pe. Wilson Luís Ramos foi condecorado com o título de cidadão honorário dracenense pelo trabalho realizado nos últimos seis anos na cidade. Confira, na íntegra, a homenagem: Padre Wilson recebe o título de cidadão honorário de Dracena (diocesedemarilia.net.br)





