Aula inaugural da Escola Nacional de Comunicação acontece neste sábado

Transmissão aberta pelo YouTube da Pascom Brasil acontece neste sábado, às 8h

Acontece no próximo sábado, 12 de março, às 8h, a aula inaugural da Escola Nacional de Comunicação da Pascom Brasil, que tem como primeiro curso Fundamentos da Pastoral da Comunicação. A aula inaugural, com transmissão pelo YouTube da Pascom Brasil, será ministrada pela Professora Francilaide Ronsi, professora de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, PUC-Rio, onde doutorou-se em Teologia Sistemática, com o tema “Pastoral para o tempo presente”. Os alunos matriculados no curso participarão da aula por meio da plataforma Teams. Para acompanhar a aula, basta acessar o link abaixo.

 

O evento contará com a presença do reitor da PUC Minas e presidente da Comissão para Comunicação da CNBB, Dom Joaquim Mol; do coordenador-geral da Pascom Brasil, Marcus Tullius; do coordenador do Anima PUC Minas, Pe. Áureo Nogueira e do coordenador do GT Formação da Pascom Brasil, Pe. Tiago Barbosa.

Para o coordenador do GT Formação, Pe. Tiago Barbosa, o início das atividades da escola, bem como a aula inaugural, é aguardado com alegria pelos agentes de pastoral, especialmente os que atuam Pascom. Para ele,

“o curso, além de reunir comunicadores comprometidos com a Palavra de Jesus, irá nos ajudar na construção do saber e no aprimoramento da técnica a fim de que, enquanto Igreja, consigamos anunciar o Evangelho nos quatro cantos de nosso país, reafirmando sempre a comunhão eclesial, instaurando uma efetiva participação de todos e abraçando o mandado missionário de nosso Senhor!”

Fundamentos da Pastoral da Comunicação 

Fundamentos da Pastoral da Comunicação é o primeiro curso da Escola Nacional de Comunicação, uma iniciativa da Pascom Brasil e da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas. A primeira turma foi encerrada apenas uma semana após a abertura das inscrições por ter preenchido o limite de vagas.

Segundo o coordenador-geral da Pascom Brasil e membro da equipe de comunicação do Anima PUC Minas, Marcus Tullius, este efeito tão rápido é uma resposta das necessidades dos agentes da Pascom.

“Confesso que esperava atingir as vagas disponíveis em uns 15 dias. Mas, em apenas uma semana, foi surpreendente! Para nós, isso representa o anseio pela formação, pela busca do conhecimento, que deve ser uma característica do discípulo-missionário de Jesus Cristo na seara da comunicação”, ressaltou.

Quem não teve a oportunidade de se inscrever para a primeira turma, pode manifestar o interesse na próxima oferta do curso. A opção já está disponível na plataforma da PUC Virtual, que oferece toda a estrutura técnica e acadêmica para a realização do curso.

Fonte: Aula inaugural da Escola Nacional de Comunicação acontece neste sábado - Pascom Brasil


Em live celebrativa, comissão abordou a temática “a profissão de fé”, com o Padre Abimar Oliveira

Dando sequência à série de lives celebrativas, por ocasião dos 30 anos do Catecismo da Igreja Católica, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realizou a live “A profissão de fé”.

A live contou com a exposição do padre Abimar Oliveira de Moraes, professor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Segundo o padre Abimar, o objetivo das lives é o de fazer entender as relações profundas que existem entre as atividades da catequese, principalmente em sua atualidade, e os conteúdos que o catecismo apresenta.

“De maneira especial, na sua primeira parte, o catecismo fala sobre o tema da profissão da fé; toda a primeira seção é dedicada à revelação de Deus, como Ele revela o seu desígnio de bondade, as etapas desta revelação, como elas se desenvolvem em nossa tradição de fé alcançando, claro, em Jesus Cristo a sua plenitude”, explicou.

Na segunda parte da live, já no dia 24 de março, padre Abimar explica que pretende fazer uma reflexão sobre como entender a catequese atual colocando-a em referência estreita e direta com a revelação cristã “e a compreensão de que a pessoa humana é capaz de ter acesso, é capaz de se abrir a essa revelação”.

“Essa revelação, portanto, ela toca a vida da pessoa humana e ao tocá-la consegue justamente fazer com que a pessoa realize a maior de todas as suas inspirações”, diz.

Então, primeiro, padre Abimar relembra que o foco será o de olhar para os conteúdos que o catecismo apresenta sobre a revelação e a segunda live será sobre revelação e catequese.

As lives serão realizadas em dois dias -, 10 e 24 de março -, às 19h30, com transmissão ao vivo pelas redes sociais da CNBB (Youtube e Facebook) e Catequese do Brasil, no Youtube. Acompanhe:


Lives celebrativas

A Comissão para a Animação Bíblico Catquética da CNBB propõe uma série de lives por ocasião dos 30 anos do Catecismo da Igreja Católica com o objetivo de “celebrar a publicação deste texto, que se tornou uma grande referência para o caminho da Igreja, especialmente da Catequese, nos últimos anos”, informa a assessora da Comissão, Mariana Venâncio.

Mariana Venâncio informou que os eventos periódicos, propostos pela Comissão, ajudarão a retornar ao texto do Catecismo da Igreja Católica, revisitando suas principais temáticas e aprofundando seu sentido com a ajuda de assessores convidados para cada mês.

“Consideramos que esta seja uma forma catequética de celebrar seus 30 anos: destacando sua grande contribuição, aprofundando em seu conhecimento e percebendo como sua recepção vai se modificando e amadurecendo com o passar do tempo, sem que o brilho de suas páginas deixe de refletir a luz da Igreja, em sua fidelidade ao Evangelho”, salientou.

Padre Jânison de Sá, também assessor da Comissão, acrescentou que nesses 30 anos se fizeram muitas reflexões, estudos. “Nos 20 anos, a CNBB organizou um Congresso e agora nos 30 anos, nós estamos realizando uma série de formações e também teremos um Seminário Nacional de Catequese, nos dias 11 a 15 de julho, com o tema: CIgC – 30 anos, e assim, o catecismo é importante no seu conteúdo para ajudar os cristãos a aprofundar e conhecer melhor a fé católica”, explica.

Para ele, o texto já é conhecido, mas sempre novo e importante para “revisitarmos e aprofundarmos os conteúdos do Catecismo com a diversidade de assessores que nós teremos durante o ano”.

Ao menos duas lives por mês, até novembro, estão programadas. E além do Seminário Nacional de Catequese, em julho, também em outubro, de 3 a 7, a Comissão realizará um Curso de Catequese Missionária, em parceria com o Centro Cultural Missionário, o CCM.

Confira as temáticas das lives e os dias:

Fevereiro Introdução Vídeos – Mariana e pe. Jânison

 

24 de Fevereiro
Março Primeira parte – A profissão da fé

Primeira seção

Pe. Abimar Oliveira de Moraes 10 de Março
24 de Março
Abril Primeira parte – A profissão da fé

Segunda seção

Ir. Sueli da Cruz Pereira 07 de Abril
21 de Abril
Maio  Segunda parte – A celebração do mistério cristão

Primeira seção

Pe. Patrick Brandão 05 de Maio
19 de Maio
Junho Segunda parte – A celebração do mistério cristão

Segunda seção

Dom Armando Bucciol 23 de Junho
30 de Junho
Julho Seminário nacional de catequese   11 a 15 de Julho
Agosto Terceira parte – A vida em Cristo

Primeira seção

Prof.ª Maria Inês de Castro Millen 04 de Agosto
25 de Agosto
Setembro Terceira parte – A vida em Cristo

Segunda seção

Prof. Sérgio Mendes 15 de Setembro
29 de Setembro
Outubro Quarta parte – A oração cristã

Primeira seção

Ir. Ivete Holthmam 13 de Outubro
27 de Outubro
Novembro Quarta parte – A oração cristã

Segunda seção

Prof. Matthias Grenzer 03 de Novembro
17 de

Novembro

O Catecismo da Igreja Católica (CIC)

Catecismo da Igreja Católica é uma exposição sistemática da doutrina Católica publicada no ano de 1992. A apresentação do seu conteúdo está organizada em quatro partes, a saber, a fé professada (a explicação do Credo), a fé celebrada (a apresentação da liturgia da Igreja), a fé vivida (a moral ou exigências dos mandamentos) e a fé rezada (a vida de oração da Igreja).

As bases que fundamentam toda essa apresentação são: a Sagrada Escritura, a Tradição Apostólica e o Magistério da Igreja. Esse conteúdo constitui a riqueza do pensamento da Igreja sobre os mais variados assuntos e dimensões da vida da pessoa humana, da Igreja e da sociedade.

Padre Jânison, salienta que o CIC traz referências importantes para a catequese, para os catequistas em todas as suas etapas. Ele também reafirma que o seu conteúdo está presente em todos os processos itinerários catequéticos.

“O catecismo é, de fato, um dom. É importante para a Igreja. Um presente deixado por São João Paulo II”, recordou.

Saiba onde adquirir a publicação, pelas Edições CNBB, (AQUI)

 

Fonte: Em live celebrativa, Comissão abordou a temática "a profissão de fé", com o padre Abimar Oliveira - CNBB


Edições CNBB oferece curso sobre Pastoral Escolar; proposta é capacitar educadores

A Edições CNBB realizará o Curso de atualização sobre a Pastoral Escolar. O objetivo, segundo a organização, é capacitar os educadores sobre a Pastoral Escolar a partir da obra “Compêndio de Pastoral Escolar para a educação básica na escola católica”.

A formação será realizada no período de 15 a 18 de março de 2022, por meio da plataforma de cursos da Edições CNBB, completamente online. O público-alvo são pastoralistas, gestores, agentes de pastoral, estudantes do curso de Teologia e interessados no assunto. O Dr. Sérgio Junqueira, professor Livre Docente de Ciência da Religião, será o orientador do curso.

Programação

No dia 15 de março, o curso abordará a temática “Termo e Pesquisa – A relação da Pastoral com a CNBB e ANEC“. Nele, serão estudados conceitos fundantes (Identidade Confessional/ Legislação/ Evangelização/ Pastoral da Educação/ Escola em Pastoral/ ER / Catequese);

Em 16 de março, a proposta é tratar sobre o sujeito, compreensão pedagógica (Educação Infantil/ Ensino Fundamental/ Ensino Médio) e as dimensões da pastoral;

Já no dia 17 de março serão tratadas as temáticas de espiritualidade, Sagrada Escritura e planejamento pastoral;

Por último, no dia 18 de março, serão abordados os grupos de adolescentes/jovem; educadores e a comunidade paroquial e outras pastorais.

O Compêndio

Um guia completo para a educação básica em escolas católicas. Assim a Edições CNBB descreve o “Compêndio de Pastoral Escolar para a Educação Básica na Escola Católica” lançado em dezembro de 2021 para os diversos atores envolvidos na dinâmica das escolas ligadas à Igreja.

O Compêndio reúne a história e a identidade da prática evangelizadora no âmbito escolar, bem como seus fundamentos e desdobramentos pedagógicos. O subsídio é fruto da parceria da Edições CNBB com a Editora Vozes e apresenta-se como imprescindível para as escolas católicas. A obra também “é de grande ajuda para todos aqueles interessados em uma educação capaz de formar para uma vida mais solidária e fraterna”.

Os organizadores da publicação têm sua trajetória acadêmica e profissional ligada às instituições católicas de ensino: Sérgio Rogério Azevedo Junqueira, pós-doutor em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor na PUC-PR; Gregory Rial, coordenador do Setor de Animação Pastoral da Associação Nacional de Educação Católica (Anec) e pesquisador na área de educação, pastoral, teologia, filosofia e comunicação social; e irmã Valéria Andrade Leal, assessora da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB com experiência na área de Educação e Pastoral, atuando principalmente nos temas: escola católica, educação, pastoral escolar, animação bíblica, juventude e pastoral juvenil.

“Esta obra haverá de ser referência para todo educador que abraçou a relação ensino-aprendizado como trabalho e serviço à construção de uma sociedade justa e solidária, fraterna e inclusiva”, ressaltam.

Lançado em dezembro de 2021, o livro pode ser encontrado no site da Edições CNBB, no endereço: www.edicoescnbb.com.br. Também é possível falar com a equipe de vendas pelo WhatsApp: (61) 2193-3019

Fonte: Edições CNBB oferece curso sobre Pastoral Escolar; proposta é capacitar educadores - CNBB


Cardeal Parolin: o bombardeio de uma maternidade na Ucrânia é inaceitável

O Secretário de Estado do Vaticano, respondendo a perguntas feitas por jornalistas, expressou sua consternação com o bombardeio de um hospital-maternidade na Ucrânia. O cardeal reiterou que a Santa Sé está disposta a mediar o conflito se for chamada a fazê-lo

O bombardeio de um hospital pediátrico é inaceitável. Não há motivações. Foi o que disse o Cardeal Pietro Parolin à margem de uma conferência em Roma, expressando sua preocupação com uma guerra sem tréguas. A declaração do Secretário de Estado do Vaticano veio após um ataque aéreo russo que, segundo o chefe da administração militar regional de Donetsk, destruiu um hospital em Mariupol com maternidade e enfermarias pediátricas: fala-se de feridos e mortos entre crianças e mulheres em trabalho de parto.

Ouça e compartilhe

O cardeal afirmou ainda que o espaço para tratativa é estreito, esperando, todavia, que se possa chegar a uma posição negociada. Referindo-se ao telefonema que ele teve na terça-feira (08) com o Ministro das Relações Exteriores russo Sergei Lavrov, Parolin disse que a conversa não ofereceu nenhuma garantia. Em particular, não foram garantidos os corredores humanitários.

Santa Sé pronta para mediar

O Secretário de Estado reiterou que a Santa Sé deu sua disponibilidade para tomar medidas na frente diplomática para encontrar soluções que possam acabar com a guerra. Em particular, a Santa Sé pediu a suspensão do conflito e a consolidação das negociações, colocando-se à disposição para mediar, se for considerado útil, mas deve ser chamada a fazê-lo. "A presença de dois cardeais na Ucrânia, o esmoleiro papal Konrad Krajewski e o prefeito interino do Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral, Michael Czerny, é um sinal - disse Parolin - de que o Papa quer dar sua contribuição não apenas em um nível mais propriamente diplomático e espiritual, mas também em nível de ajuda humanitária". Por fim, referindo-se às palavras do patriarca ortodoxo russo Kirill, o cardeal disse que estas declarações não encorajam e não promovem um entendimento. Pelo contrário, correm o risco de inflamar ainda mais os ânimos, levando a uma escalada que não resolverá a crise de modo pacífico.

Bombardeio russo

Bombardeio russo

Papa Francisco volta a tratar da realidade dos idosos em novo ciclo de catequeses: “diálogo entre as gerações fortifica a família humana”

A realidade dos idosos e o diálogo entre as gerações tem sido trabalhado pelo Papa Francisco em novo ciclo de catequeses. Na audiência geral de 2 de março, Francisco tratou da temática “Longevidade: símbolo e oportunidade”.

Para iniciar, Francisco lembrou que a bíblia traz algumas genealogias, que seguem por séculos. “Esta cadência secular do tempo, narrada em estilo ritual, confere à relação entre longevidade e genealogia um profundo significado simbólico, forte, muito forte”, apontou o Pontífice.

“É como se a transmissão da vida humana, tão nova no universo criado, exigisse uma iniciação lenta e prolongada. Tudo é novo, no início da história de uma criatura que é espírito e vida, consciência e liberdade, sensibilidade e responsabilidade. Durante este longo período de tempo, a qualidade espiritual do homem é também lentamente cultivada. Os tempos de transmissão são mais curtos, mas os tempos de assimilação requerem sempre paciência”, continuou o Papa.

O Santo Padre destacou que o excesso de velocidade, que agora obceca todas as fases da nossa vida, torna cada experiência mais superficial e menos “nutriente”. “Os jovens são vítimas inconscientes desta divisão entre o tempo do relógio, que quer ser queimado, e os tempos da vida, que requerem uma adequada “fermentação”. Uma vida longa permite experimentar estes longos tempos, e os danos da pressa”, disse.

Segundo o Papa, a velhice certamente impõe ritmos mais lentos: mas não são apenas tempos de inércia. De fato, a medida destes ritmos abre, para todos, espaços de significado da vida desconhecidos pela obsessão da velocidade. “A perda de contato com os ritmos lentos da velhice fecha estes espaços para todos”, ressaltou.

Para o Pontífice, a aliança entre as duas gerações extremas da vida, crianças e idosos, também ajuda as outras duas, jovens e adultos, a criar laços entre si para tornar a existência de todos mais rica em humanidade. “É necessário o diálogo entre as gerações, se não há diálogo entre jovens, idosos e adultos, se não há diálogo, cada geração permanece isolada e não pode transmitir a mensagem. Um jovem que não está ligado às suas raízes que são os avós, não recebe a força, como a árvore, das raízes, e cresce mal, cresce doente, cresce sem referência. É preciso buscar como uma exigência humana o diálogo entre as gerações. É importante o diálogo entre avós e netos que são os dois extremos”, reforçou.

“Esta sociedade que tem o espírito do descarte, descarta as crianças que não são bem-vindas e descarta os idosos, descarta, não são necessários. A velocidade nos coloca numa centrífuga que nos varre como confetes. Perdemos completamente de vista o todo. Cada um agarra-se ao seu pedacinho, flutuando sobre os fluxos da cidade-mercado, para a qual ritmos lentos são perdas e velocidade é dinheiro. A velocidade excessiva pulveriza a vida, não a torna mais intensa. A sabedoria nos pede para perder tempo”, completou Francisco.

O ritmo dos idosos

O Papa destacou a importância de perder tempo com os filhos, com as crianças, pois este diálogo é fundamental para a sociedade. Não somente com os pequenos, mas com os idosos, com um avô ou uma avó “que talvez não raciocina bem ou perdeu a capacidade de falar, mas você está ali com ele ou com ela, perdendo tempo, e esse perder tempo, fortifica a família humana”. Segundo Francisco, “crianças e idosos nos dão outra capacidade de ver a vida”.

“Os ritmos da velhice são um recurso indispensável para apreender o significado da vida marcada pelo tempo. Os idosos têm o seu ritmo, mas são ritmos que nos ajudam. Graças a esta mediação, com os idosos, o destino da vida ao encontro com Deus torna-se mais crível: um desígnio que se esconde na criação do ser humano “à sua imagem e semelhança” e que é selado com o Filho de Deus que se fez homem”, disse o Pontífice.

Aliança das gerações

Francisco ressaltou que nos tempos atuais há uma maior longevidade da vida humana e que isto nos dá a oportunidade de incrementar a aliança entre todos os tempos da vida. “Temos de fazer mais aliança, nos ajuda aumentar e aliança também com o sentido da vida na sua totalidade. O sentido da vida não está somente na idade adulta, dos vinte cinco anos aos sessenta, não. O sentido da vida vai do nascimento até a morte e você tem de ser capaz de dialogar com todos, cultivar relações afetivas com todos. Assim a sua maturidade será mais rica, mais forte”, apontou.

O Santo Padre finalizou com uma oração. “A aliança das gerações é indispensável. Numa sociedade em que os idosos não falam com os jovens, os jovens não falam com os idosos, e os adultos não falam com os idosos e nem com os jovens, é uma sociedade estéril, sem futuro, uma sociedade que não olha para o horizonte, mas olha a si mesma, e se torna sozinha. Que Deus nos ajude a encontrar a música adequada para esta harmonização das diferentes idades, crianças, idosos e adultos, todos juntos, uma verdadeira sinfonia de diálogo”, concluiu o Papa.

Essa nova fase de catequese foi iniciada na audiência geral de 23 de fevereiro.  Na ocasião, Francisco disse que “a velhice é um dom de sabedoria e maturidade para todas as idades da vida”.

Diálogo entre as gerações

A velhice pede dignidade:

Catequese sobre a velhice 1

Catequese sobre a velhice 2

Fonte: Papa Francisco volta a tratar da realidade dos idosos em novo ciclo de catequeses: “diálogo entre as gerações fortifica a família humana” - CNBB


Bento XV: a paz será estável se for justa apaziguando ódios e rancores

Nestes tempos, abalados pelo drama da guerra na Ucrânia, recordamos o primeiro documento magisterial pontifício dedicado exclusivamente ao tema da paz: a Encíclica de Bento XV, “Pacem, Dei Munus Pulcherrimum”, publicada em 1920

Em 1920, a Europa ainda estava abalada pelas feridas abertas da I Guerra Mundial e pelas questões não resolvidas que levariam ao início da Segunda Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes havia oficialmente posto um fim à guerra, mas não tinha sido encontrada nenhuma solução definitiva para as questões que provocaram o início da guerra. Foi nesta época, marcada por frágeis equilíbrios, que Bento XV, publicou a Encíclica Pacem, Dei Munus Pulcherrimum ("Paz, maravilhosa dádiva de Deus"), em 23 de maio de 1920, Pentecostes. No texto escrevia que nenhuma paz pode ser consolidada, se "ódios e ressentimentos não forem apaziguados" e se não for uma paz "justa, honrada e duradoura". Já três anos antes, Bento XV descrevera a guerra como “um massacre inútil”.

Depor os ódios e ajudar os que sofrem

Para os cristãos, Bento XV, como o Papa Francisco hoje, pede para estarem perto daqueles que sofrem: "Nós vos rogamos, pelas entranhas da caridade de Cristo, que luteis, tanto quanto possível, não somente para induzir os fiéis que vos foram confiados a depor seus ódios e a perdoar suas ofensas, mas também para promover com maior intensidade todas aquelas obras de caridade cristã que serão de ajuda aos necessitados, de conforto aos aflitos, de proteção aos fracos, e que, em suma, trarão alívio oportuno e múltiplo a todos aqueles que sofreram os maiores danos da guerra".

Pessoas com sinais das atrocidades da guerra

Os horrores da guerra descritos na Encíclica Pacem, Dei Munus Pulcherrimum, são os mesmos que são relatados na Ucrânia e nos países hoje devastados pelos conflitos: "Se olharmos em volta, onde a guerra se desencadeou, aparecerão diante de nós imensas regiões de desolação e miséria, incultas e abandonadas". Como no passado, estamos diante de "um quadro de misérias" no qual "uma humanidade oprimida" sofre e pede ajuda: "Multidões são reduzidas a tais extremos que lhes falta pão, roupas e abrigo; muitas viúvas e órfãos estão esperando por algum tipo de ajuda; uma incrível multidão de pessoas necessitadas, especialmente crianças e jovens, testemunham em seus corpos instáveis a atrocidade da guerra". “Nunca houve dias", escreve ainda o Pontífice, "em que os limites da caridade mais do que agora deveriam ser ampliados, já que todos nós somos oprimidos e perturbados pela mais grave das angustias".

Uma Liga de Nações para garantir a paz

Bento XV espera pela criação de uma Liga das Nações que possa garantir a paz no futuro: "Seria verdadeiramente desejável ... que todos os Estados, uma vez removidas as suspeitas mútuas, se unissem em uma única sociedade ou, melhor, quase em uma família de povos, tanto para garantir a cada um a sua independência como para salvaguardar a ordem da sociedade civil. A formação desta sociedade de nações é encorajada, além de muitas outras considerações, pela necessidade geralmente reconhecida de reduzir, se não abolir, as enormes despesas militares que não podem mais ser suportadas pelos Estados, a fim de evitar tais guerras mortíferas e terríveis no futuro, e de assegurar a cada povo, dentro de seus justos limites, a independência e a integridade de seu próprio território”.

A paz precisa de caridade

Portanto neste dramático momento histórico estão refletidas as páginas dolorosas já vividas pela humanidade. A paz precisa, como lemos na encíclica "Pacem, Dei munus pulcherrimum", não de acordos extemporâneos, mas de soluções duradouras. E a semente da paz não pode criar raízes, lembra Bento XV, a menos que todos os rancores sejam depostos através de "uma reconciliação fundamentada na caridade mútua". Este "preceito da caridade" se reflete nas palavras de Jesus: "Amai vossos inimigos; fazei bem aos que vos odeiam; rezai por aqueles que vos perseguem e difamam". É "árduo e difícil obedecer a esta lei", mas os cristãos por primeiro, sublinhou Bento XV, são chamados a imitar Jesus que na cruz disse estas palavras: "Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem". Estas palavras devem ser acompanhadas de oração e caridade que, como escreve o Papa Bento XV, é o selo de uma paz autêntica.

Fonte: Bento XV: a paz será estável se for justa apaziguando ódios e rancores - Vatican News


Inscrições abertas para o Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã para Presbíteros

Pela primeira vez, a Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética, da CNBB, promove um Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã direcionado aos presbíteros. A iniciativa ocorrerá de 5 a 7 de abril, por meio da plataforma Zoom, das 8h30 às 12h, e contará com certificação emitida pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC-Rio.

A proposta, segundo Mariana Venâncio, assessora da Comissão, é que o seminário reflita sobre as implicações pastorais da Iniciação à Vida Cristã (IVC); o papel da Catequese a serviço da IVC, além de abordar temas importantes para se compreender a teologia da IVC, como a mistagogia, por exemplo”.

“Além disso, o seminário irá apresentar experiências e pistas para a implementação do projeto da IVC, que poderão orientar os presbíteros que tiverem dúvidas sobre como começar”, argumentou.

Padre Jânison de Sá, também assessor da Comissão, acrescentou que a iniciativa buscará animar e motivar todos os presbíteros para que possam assumir sempre mais o projeto da Iniciação à Vida Cristã.

“Nós percebemos a necessidade, a urgência desse maior envolvimento de todos os padres nessa missão tão bonita que é iniciar na fé às pessoas, às gerações. E por isso a presença, o apoio, a atuação do presbítero é fundamental”, disse.

O assessor destacou também que a Comissão espera contar com a presença dos presbíteros para uma melhor compreensão, reflexão e prática de uma catequese à serviço da Iniciação à Vida Cristã com inspiração catecumenal nas paróquias e comunidades.

Inscrições e programação

As inscrições para participar do Seminário poderão ser realizadas até o dia 30 de março, no formulário disponível no Google Forms (clique aqui). Aqueles que se inscreverem, posteriormente, receberão o link de acesso ao seminário via e-mail.

Confira a programação completa:

05/04

8h30 – Saudações iniciais:

Dom Joel Portella Amado (Secretário Geral da CNBB)

Dom João Francisco Salm (Presidente da Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada)

Dom Waldemar Passini (Comissão para a Animação Bíblico-Catequética)

Pe. Waldecir Gonzaga (Diretor do Departamento de Teologia da PUC-Rio)

Pe. José Adelson Rodrigues (Comissão Nacional de Presbíteros)

09h – Oração inicial

09h20 – A Iniciação à Vida Cristã: uma apresentação do Documento 107 – Pe. Abimar de Moraes

10h20 – Interação

10h40 – A teologia da IVC – Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira

11h40 – Interação e encerramento

06/04

8h30 – Oração inicial e saudação – Dom José Antônio Peruzzo (Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética)

09h – Querigma e mistagogia na IVC – Irmã Sueli da Cruz Pereira e pe. Patrick Brandão

10h20 – Interação

10h40 – O caminho de implementação da IVC: sugestões práticas – Irmã Maria Aparecida Barboza e Pe. Cláudio D’Angelo Castro

11h40 – Interação e encerramento

07/04

8h30 – Oração inicial e saudação – Dom Armando Bucciol (Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética)

9h – Mesa-redonda: Experiências de implementação da IVC nas Dioceses

Mediação: Pe. Jânison de Sá e Mariana A. Venâncio (assessores da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética)

Experiências:

Dom Carlo Verzeletti (Diocese de Castanhal, Regional Norte 2)

Pe. Edson de Bortoli (Diocese de Caçador – Santa Catarina);

Pe. Leandro Francisco Pagnussat (Diocese de Goiás);

Pe. Erickson Ramos da Silva (Diocese de Jundiaí-SP);

Pe. Bruno Moreira Rodrigues e pe. Emílio José Castelo Ferreira (Arquidiocese de Fortaleza).

11h30 – Interação

 

Fonte: Inscrições abertas para o Seminário Nacional de Iniciação à Vida Cristã para Presbíteros - CNBB


Romaria dos Bispos Eméritos do Regional Sul 1 a Aparecida

Nesta segunda-feira, dia 7 de março, aconteceu a primeira peregrinação dos Bispos Eméritos do Regional Sul 1 ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, que se iniciou com a celebração da Santa Missa, presidida por Dom Nelson Westrupp, SCJ, bispo emérito da Diocese de Santo André, e membro da Comissão Nacional dos Bispos Eméritos. No início da celebração, os Bispos foram acolhidos pelo arcebispo metropolitano Dom Orlando Brandes, que expressou sua alegria em receber os bispos eméritos na casa da Mãe Aparecida.

Após a celebração, os bispos eméritos se reuniram com a presidência do Regional Sul q da CNBB, e cada um pode partilhar a vida, os desafios da emeritude, e as atividades que têm realizado. Na ocasião Dom Nelson expressou sua alegria pelo encontro e destacou a importância da iniciativa. Dom Pedro Luiz Stringhini, Bispo de Mogi das Cruzes e Presidente do Regional, em sua fala agradeceu a presença dos Bispos Eméritos e destacou a importância do ministério episcopal de cada um, dizendo ser um dom de Deus e testemunho para toda a Igreja.

O encontro foi encerrado com um almoço oferecido pela comunidade redentorista do Santuário Nacional. Foi um bonito momento de convivência, partilha e oração, destacou o padre Thiago Faccini Paro, secretário executivo do Regional, que informou que os Bispos presentes fixaram que a romaria deverá acontecer todos os anos, sempre na primeira segunda-feira da quaresma.

O encontro também contou com a presença de Dom Moacir Silva, Arcebispo de Ribeirão Preto e referencial para os Bispos eméritos e de toda a Presidência do Regional Sul 1 da CNBB. Atualmente o estado de São Paulo tem 32 bispos eméritos.

    

 

Fonte: Romaria dos Bispos Eméritos do Regional Sul 1 a Aparecida | CNBB Regional Sul 1 (cnbbsul1.org.br)


Francisco: penso nas mães e seus filhos que fogem das guerras, que o mundo reencontre a concórdia

No Dia Internacional da Mulher, pensemos nas mulheres que estão sofrendo com a guerra que está sendo travada na Ucrânia. Neste ano, o Papa exortou a olhar para a humanidade das mulheres que pode regenerar o mundo.

Olhando para Maria com o Filho nos braços, penso nas jovens mães e nos seus filhos que fogem das guerras e da fome ou que esperam nos campos de refugiados. São tantos! Que a Rainha da paz obtenha concórdia para os nossos corações e para o mundo inteiro.

O Papa recorda num tuíte em sua conta @Pontifex para o Dia Internacional da Mulher, o sofrimento e a dor de tantas mulheres. Ele exorta a olhar para Maria a fim de que o mundo possa reencontrar seu caminho através da oração à Virgem.

Em lágrimas enquanto se despedem de seus maridos, sólidas em abraçar seus filhos assustados, corajosas em gritar nas ruas "não" a uma guerra que não pertence a ninguém, prontas para ajudar os soldados que deveriam ser inimigos, e que, em vez disso, são jovens assustados e frágeis. O conflito entre Rússia e Ucrânia mostrou o rosto das mulheres de hoje: um poliedro composto de cuidado, força, delicadeza, mas sobretudo expressão de um amor que, na dor, se torna casa e abrigo.

Uma mulher fugindo para a Eslováquia com seus filhos
Uma mulher fugindo para a Eslováquia com seus filhos

Mulheres, uma combinação de sonhos e concretude

Para essas mulheres, sejam elas russas ou ucranianas, o mundo olha hoje no Dia Internacional da Mulher dedicado a elas e no qual as palavras do Papa Francisco, proferidas várias vezes, parecem costuradas em sua pele queimada pela dor. Na solenidade da Mãe de Deus, 1º de janeiro passado, o Pontífice recordou Maria, mulher que "protege meditando" e sublinhou que "as mães olham o mundo não para explorá-lo, mas para que tenha vida: olhando com o coração, conseguem manter juntos os sonhos e a concretude".

Enquanto as mães dão a vida e as mulheres custodiam o mundo, vamos todos trabalhar para promover as mães e proteger as mulheres. Quanta violência há contra as mulheres! Chega! Ferir uma mulher é ultrajar Deus, que obteve a humanidade de uma mulher, não de um anjo, não diretamente: de uma mulher. Assim como de uma mulher, a Igreja toma a humanidade dos filhos.

Yelena Osipova, sobrevivente do cerco nazista de Leningrado, presa em Moscou enquanto protestava contra a guerra na Ucrânia
Yelena Osipova, sobrevivente do cerco nazista de Leningrado, presa em Moscou enquanto protestava contra a guerra na Ucrânia

Maria e a piedade

A violência contra as mulheres é um problema "quase satânico", disse o Papa em sua entrevista televisiva a Mediaset em dezembro de 2021, depois de ouvir o testemunho de vida familiar difícil de Joana. A ela, ele repetiu a palavra "dignidade":

Qual é a dignidade das mulheres espancadas e abusadas? Uma imagem me vem à mente ao entrar na Basílica. À direita, a piedade de Nossa Senhora, Nossa Senhora humilhada diante de seu filho nu, crucificado, malfeitor aos olhos de todos. Aquela é a mãe que o criou, totalmente humilhada. Mas ela não perdeu sua dignidade e olhar aquela imagem em momentos difíceis como o seu de humilhação e onde se sente de perder a dignidade, olhar aquela imagem nos dá força... Olhe para Nossa Senhora, fique com essa imagem de coragem.

O Papa Francisco e suas palavras sobre as mulheres

O olhar de esperança

Humilhação, sofrimento e dureza de espírito: hoje, no coração de cada mulher, em momentos particulares da vida, se continua vivendo esta oscilação. Há o cuidado, há o olhar que se apoia na fragilidade, na dor, por exemplo dos próprios filhos. Esse olhar feminino - explicou o Papa - transforma o desânimo e oferece esperança mesmo num cenário de guerra.

Vêm à mente os rostos das mães que cuidam de um filho doente ou em dificuldade. Quanto amor há em seus olhos, que enquanto choram sabem infundir motivos de esperança! O seu olhar é consciente, sem ilusões, mas para além da dor e dos problemas oferece uma perspectiva mais ampla, a do cuidado, do amor que regenera a esperança.

Há palavras-chave nestes pronunciamentos de Francisco que fazem suspirar de alívio, porque nas mulheres, ainda que maltratadas, abusadas e vítimas, há a semente de Deus que é Amor, há o exemplo de Maria que ajuda, há o seu sim que não é rendição, mas confiança no Senhor e também numa humanidade que nestes dias não vê luz e que parece aniquilada pelo ruído doloroso da guerra.

 

Fonte: Francisco: penso nas mães e seus filhos que fogem das guerras, que o mundo reencontre a concórdia - Vatican News


CNBB e organismos da Igreja no Brasil lançam mensagem contra Projetos de Lei que regularizam a mineração em terras indígenas

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e organismos da Igreja do Brasil divulgaram nesta segunda-feira, 7 de março, uma mensagem contra o Projeto de Lei (PL) nº 490/2007, que dificulta a demarcação de terras indígenas, e o PL 191/2020, que regulariza a mineração em terras indígenas.

No documento, as organizações manifestam “preocupação com as iniciativas econômicas ligadas à mineração” e fazem um chamado para que todos os cristãos “protejam a vida, os povos originários e as florestas”. O texto afirma ainda que “ministros e lideranças do governo falam há dois anos em ‘passar a boiada’ enquanto o povo está ‘distraído’ e que “agora, com o planeta olhando com atenção à guerra que acontece na Europa, parlamentares governistas querem apreciar em regime de urgência essas proposições, a começar pelo PL 191/20”.

Para as organizações, a não promoção de uma discussão ampla com o conjunto da sociedade brasileira esconde o verdadeiro desastre social, ambiental e trabalhista que tem sido recorrente nas atividades mineradoras, se agravando os conflitos com povos indígenas. Assinam a carta os presidentes da Comissão Episcopal Especial para a Ecologia Integral e Mineração, a Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Leia a carta na íntegra ou acesse o PDF aqui

Povos indígenas na casa comum: um direito inviolável

Louvado sejas, meu Senhor, que no Cântico das Criaturas recordas que a Terra, a nossa Casa Comum, se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços. Nós mesmos somos terra (cf Gen 2,7; LS 1-2).

Desde o processo que culminou na promulgação da Constituição Federal de 1988, está havendo uma investida para apropriação dos territórios indígenas – seja por mineradoras ou por empresários do agronegócio. Nos dois últimos anos, o Parlamento brasileiro tem tentado permitir a mineração em territórios indígenas, por meio dos Projetos de Lei 490/2007 e 191/2020, que se tornaram prioridades anunciadas pelo Governo Federal, por meio da Portaria nº 667, de 9 de fevereiro de 2022.

O primeiro projeto permite exploração mineral, turismo, agronegócio e cria o marco temporal, enquanto o segundo propõe a permissão de pesquisa e da lavra de recursos minerais e hidrocarbonetos, bem como o aproveitamento de recursos hídricos para geração de energia elétrica em terras indígenas, e institui a indenização pela restrição do usufruto de terras indígenas.

Não é à toa que ministros e lideranças do governo falam há dois anos em “passar a boiada” enquanto o povo está distraído. Agora, com o planeta olhando com atenção à guerra que acontece na Europa, parlamentares governistas querem apreciar em regime de urgência essas proposições, a começar pelo PL 191/20. Sem discussão com o conjunto da sociedade brasileira, esconde-se o verdadeiro desastre social, ambiental e trabalhista que tem sido recorrente nas empresas de extração mineral, se agravando os conflitos com povos indígenas.

Reiteradamente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) tem manifestado preocupação com as iniciativas econômicas ligadas à mineração, para alterar os territórios preservados em nosso País. É um chamado a todos os cristãos para que protejam a vida, os povos originários e as florestas. Não aceitamos a legalização da poluição dos rios e das populações com mercúrio, a destruição dos barrancos e dos igarapés, a abertura de novas frentes de desmatamento da Amazônia e o genocídio dos povos.

A vida está em primeiro lugar, perante qualquer tipo de argumentação para o desenvolvimento econômico. Para qualquer iniciativa, se faz muito necessário um amplo e irrestrito debate com o conjunto da sociedade brasileira, principalmente os povos indígenas, que bem-informados precisam decidir sobre os usos do território, respeitando-se seus direitos já consagrados na Constituição e nos Acordos e Convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário.

A crise no equilíbrio climático, os fenômenos meteorológicos extremos, a contaminação de territórios até agora protegidos, a criminalização e perseguição de lideranças que defendem suas comunidades e territórios são fruto dos projetos gananciosos do extrativismo predatório, associados a grandes empresas e bancos internacionais. Parar a tramitação desses projetos e iniciar um debate aberto e profundo é o mínimo que exigimos de nossos parlamentares.

Brasília-DF, 4 de março de 2022.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Dom Sebastião Lima Duarte
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral Especial Ecologia Integral e Mineração

Dom Erwin Kräutler
Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica – REPAM-Brasil

Dom Roque Paloschi
Presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)

 

Fonte: CNBB e organismos da Igreja no Brasil lançam mensagem contra Projetos de Lei que regularizam a mineração em terras indígenas - CNBB


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