O que a Quaresma tem a ver com a Campanha da Fraternidade?

Anualmente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza a Campanha da Fraternidade (CF) no Tempo Litúrgico da Quaresma, o período de preparação para a Páscoa. Mas o que tem a ver a Quaresma com a Campanha da Fraternidade?  

A resposta pode ser dada a partir de alguns pontos: a origem da Campanha da Fraternidade, a proposta de conversão do Tempo Quaresmal e a possibilidade de vivenciar a Quaresma de um modo especial, com ações concretas.  

“A Campanha da Fraternidade nasce no contexto quaresmal, e o primeiro gesto concreto da Campanha é o coração convertido e o segundo gesto é tratarmos realmente o tema do ano com prioridade, com reflexão profunda para que a gente inicie uma nova etapa”, explica o secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista. 

 

Origem

A Campanha da Fraternidade nasce a partir de uma iniciativa de arrecadação de recursos para atendimentos assistenciais da Cáritas Brasileira. Na Quaresma de 1962, no Rio Grande do Norte, foi realizada a primeira Campanha da Fraternidade com o convite à solidariedade, gesto concreto da prática quaresmal da esmola.  

 

Conversão 

A Quaresma também é tempo de conversão. E a Campanha da Fraternidade possui essa proposta ao motivar “um coração convertido”. Há mais de cinco décadas, a iniciativa anuncia a importância de não separar a conversão do serviço aos irmãos e irmãs, à sociedade e ao planeta, a Casa Comum.  

“A cada ano, um tema é destacado como sinal de que realmente necessitamos de conversão. Em cada um dos temas específicos tratados pela Campanha da Fraternidade há o convite para alargar o olhar e perceber que o pecado ameaça a vida como um todo”, explicou a Presidência da CNBB no texto-base da Campanha da Fraternidade de 2019. 

Citando o Papa Francisco, a Presidência da CNBB recorda que a “Quaresma é tempo favorável para sairmos de nossa alienação existencial causada pelo pecado”, é “tempo de abertura ao mistério da dor e da morte, da cruz, do Crucificado, Vencedor da morte”.  

No Tempo Quaresmal, a liturgia e a catequese voltam-se para a lembrança e a preparação do Batismo, assim como os catecúmenos faziam no início da Igreja, exigindo profunda reorientação de vida e conversão de coração.  

“E é a meditação da Palavra de Deus, os exercícios espirituais que nós fazemos, e as práticas que nós já conhecemos que vão nos ajudar a fazer essa boa preparação. Um coração convertido, jamais será indiferente aos irmãos e irmãs. Um coração convertido é um coração fraterno. Então, não tenha medo da fraternidade, ela é irmã gêmea da conversão”, orienta padre Patriky. 

Em artigo sobre a relação da Campanha da Fraternidade e o tempo quaresmal, a assessora da Comissão para a Juventude da CNBB, irmã Valéria Andrade Leal, ressalta que o seguimento a que Cristo convida consiste “no processo de aprender d’Ele a realizar a vontade do Pai para nós, para toda a humanidade”. E é essa dinâmica que acontece na Quaresma, “tempo de retomar, avaliar e reavivar nossa opção por estar no seguimento do Mestre, escolhendo com ele a vontade de Deus sobre nós”. 

“A quaresma para nós não é deserto do isolamento, mas do silêncio donde brota a experiência de encontro com o Pai, que nos faz compassivos, à semelhança do Mestre. Logo, caminhando com Ele, não podemos passar ao largo daqueles a quem Ele se acerca. A Campanha da Fraternidade nos ajuda a fazer este exercício. Quaresma é exercício de santidade. Santidade é assumir o projeto de Deus tal como nos mostra Jesus: até as últimas consequências, mas a partir das coisas pequenas, como nos ensina a vida de tantos santos e santas”, orienta irmã Valéria. 

 

Modo de viver a Quaresma 

A Campanha da Fraternidade ilumina de modo particular os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola. Assim, a iniciativa promovida pela CNBB tem a finalidade principal vivenciar e assumir a dimensão comunitária e social da Quaresma. 

A Campanha da Fraternidade é um dos modos de viver a espiritualidade quaresmal. Ou seja, não se esgota a Quaresma na vivência da Campanha, mas a Campanha também não contradiz a vivência quaresmal, pelo contrário, a enriquece. 

A cada ano, um tema é destacado como sinal de que realmente necessitamos de conversão. Em cada um dos temas específicos tratados pela Campanha da Fraternidade há o convite para alargar o olhar e perceber que o pecado ameaça a vida como um todo. 

A partir dos temas, as campanhas propõem um programa quaresmal 

  • Escuta da Palavra que converte o coração 
  • Verdadeira atenção pelos outros 
  • Romper com a indiferença frente ao sofrimento 
  • Disponibilidade para o serviço 

 

Mensagens do Papa 

Padre Patriky também recorda que os Papa incentivam a vivência da Campanha da Fraternidade como parte do itinerário quaresmal. “Sempre nas mensagens se faz essa relação bonita da Campanha da Fraternidade com o período quaresmal”. 

Na mensagem para a CF de 1979, São João Paulo II falava da necessidade de viver a quaresma com ascese pessoal, mas sem esquecer da importância do doar-se. Em suas próprias palavras: “Dar mostras dessa conversão ao amor de Deus com gestos concretos de amor ao próximo”. 

Em 2007, a mensagem do Papa Bento XVI afirmava: “Ao iniciar o itinerário espiritual da Quaresma, a caminho da Páscoa da ressurreição do Senhor, desejo uma vez mais aderir à Campanha da Fraternidade (…) tempo em que cada cristão é convidado a refletir de modo particular sobre as várias situações sociais do povo brasileiro que requerem maior fraternidade”. 

 

“Se toda a dinâmica da Quaresma é resgatar a catequese batismal, viver a Campanha da Fraternidade, é viver também o nosso batismo”, destaca Patriky. 

 

Motivação litúrgica 

A Campanha da Fraternidade também busca atender ao que a Igreja orienta na liturgia celebrada. “O prefácio do tempo quaresmal fala em imitar a misericórdia do Pai, repartir o pão com os necessitados, que o coração convertido vai ser sempre um coração solidário. E o que a Igreja pede é exatamente isto: que nesse caminho de preparação para a Páscoa, a gente dedique um tempo também para pensar a nossa relação com a educação”, explica Patriky, situando na reflexão proposta neste ano de 2022, com o tema “Fraternidade e Educação”. 

Além dos prefácios das Orações Eucarísticas do tempo quaresmal, a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia ensina que “a penitência quaresmal deve ser também externa e social, que não só interna e individual”. Assim, o documento rege que seja estimulada a prática da penitência, “adaptada ao nosso tempo, às possibilidades das diversas regiões e à condição de cada um dos fiéis”. 

 

Acesse o site de Campanhas da CNBB:

Campanhas – CNBB

Fonte: O que a Quaresma tem a ver com a Campanha da Fraternidade? (cnbb.org.br)


CNBB e parceiros oferecem pós graduação lato sensu sobre “Dimensão Social da Fé”

A Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cepast-CNBB), a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), em parceria com a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), estão com as pré-inscrições abertas, para o curso de Pós-graduação Lato Sensu em Dimensão Social da fé na modalidade à distância, até dia 7 de março. A carga horária é de 360 horas e terá a duração de aproximadamente um ano e meio. O investimento é de R$ 200 reais, valor único, pago na taxa de inscrição.

Conheça o conteúdo programático aqui.

Para o bispo de Brejo (MA)  e presidente da Comissão Sociotransformadora, dom José Valdeci Mendes, o compromisso com uma sociedade justa e solidária leva a um engajamento social. “Para que isso aconteça, precisamos conhecer profundamente a realidade, saber analisá-la e estar embasado no ensino social da Igreja. Por acreditar na coletividade social, a Comissão Sociotransformadora propõe o curso em Dimensão Social da Igreja”, destaca.

O bispo lembra que “estamos em uma sociedade de grandes desafios, injustiças e violações de direitos humanos e violações da casa comum. Vidas que são ceifadas brutalmente e, por isso, a lideranças que atuam no campo das pastorais sociais e movimentos precisam lutar para prevaleça o direito e a justiça”.

À luz do texto bíblico: “Vós sois o sal da terra; vós sois a luz do mundo” (cf. Mt 5,13), dom Valdeci reforça que seguir esse mandato de Jesus, exige de nós percepção e conhecimento dos fundamentos de nossa fé, para que haja um empenho em defesa da vida humana e de toda a criação”.

Dada à importância desta especialização, o bispo motiva as lideranças a participarem deste mutirão de estudos sobre a Dimensão Social da fé, segundo ele, o curso vai oferecer elementos para fortalecer a atuação nos conselhos de políticas, na sociedade civil, nas associações, sindicatos e assessorias das pastorais, organismos do povo de Deus e movimentos populares em prol do fortalecimento da democracia participativa.

A coordenadora nacional para a Questão da Mulher Encarcerada, Rosilda Ribeiro, é uma das pré-inscritas. Ela conta que quando viu a divulgação do curso pensou: “puxa, era isso que eu estava procurando, vou me inscrever. Senti um esperançar. Esse curso é um presente de Deus e da Comissão. Eu nunca fiz uma pós-graduação”, ressalta.

Rosilda revela que a expectativa sobre o curso é que ofereça ferramentas “para fazer a diferença social neste mundo. Não é que eu espero demais do curso, mas eu esperava demais um curso nessa linha, que trouxesse o ser humano para o centro, para o social, para a fé, e que fale do amor de Deus por quem sou apaixonada, e ao mesmo tempo vai em direção do outro, da ‘igreja em saída’”, enfatiza. “Que eu possa ir junto com os outros, propor políticas públicas e não termos medo de sermos profetas, de acreditar que é possível a fraternidade”, finaliza.

Porque uma pós sobre “Dimensão Social da Fé”?

O assessor da Comissão Sociotransformadora, frei Olávio Dotto, afirma que a realização da pós-graduação, no campo do ensino social da Igreja, vem sendo gestada desde 2021, com o objetivo de qualificar agentes de pastoral. “Queremos oferecer um curso de qualidade, para que os agentes possam atuar nos espaços formativos como multiplicadores, com uma análise crítica da realidade, que está cada vez mais complexa. Que o curso favoreça, ainda mais, a capacidade de discernir e apresentar caminhos novos”.

Dotto ressalta que o curso não é só para agentes de pastoral, mas também para seminaristas, sacerdotes, religiosos, religiosas. E também afirma que a formação favorece um mergulho na realidade da Igreja Latino Americana, com sua tradição e tantos mártires e profetas.

O coordenador do curso, Daniel Seidel, assegura que a motivação para a realização da pós graduação responde a uma necessidade urgente de capacitar os agentes das Pastorais Sociais e Organismos para uma atuação em sintonia com o chamado do papa Francisco: “sermos uma Igreja em saída para as periferias, uma Igreja Samaritana e Magdalena. Estamos vivendo uma mudança de época com muitas contradições, onde é preciso escutar as pessoas em situação de exclusão e anunciar a boa notícia do reinado de Cristo, em obras e ações concretas, que promovam transformação na sociedade e nas estruturas eclesiais”. O coordenador ressalta que é “uma resposta generosa de reconhecimento à dedicação de tantos cristãos leigos e leigas, religiosas e presbíteros que doam suas vidas para que todos tenham vida plena”.

Já o pró-reitor comunitário e de extensão da Unicap, padre Delmar Cardoso, afirma que essa parceria tem muito a ver com a história da universidade. “O tema envolve a fé e a justiça, além colaborar com as iniciativas da CNBB e seus organismos. A especialização em Dimensão Social é muito importante, é um tema levantado pelo papa Francisco, e nesse estudo temos a oportunidade de redescobrir a vida em comum, somos todos irmãos como afirmou o papa na encíclica a Fratelli Tutti, e essa é uma tarefa que envolve superar o nosso individualismo e percebermos que tudo está interligado entre nós”, indica o pró-reitor.

Para pré-inscrição aqui.

Patrono do curso

Daniel Seidel conta que a escolha de Santo Oscar Romero como patrono para esta edição representa o “desejo de conversão integral e testemunho de profecia que desejamos que todas as pessoas que participem do curso vivenciem um encontro profundo com Jesus Eucarístico nas pessoas abandonadas e esquecidas ou na natureza ferida. E desde este encontro renovem suas convicções e conheçam instrumentos e mediações que promovam justiça, paz e a integridade da Criação para responder aos desafios dos tempos atuais”, preconiza o coordenador do curso.

 

Fonte: CNBB e parceiros oferecem pós graduação lato sensu sobre "Dimensão Social da Fé" - CNBB


Último episódio de série da Pascom sobre a CF propõe pensar a educação para uma nova sociedade e um novo humanismo

A série especial CF 2022, promovida pela Pascom Brasil, chega ao seu último episódio, que tem como chave o verbo Agir, último passo proposto pelo texto-base. Para este ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta como tema Fraternidade e Educação, e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31,26). A Campanha da Fraternidade tem início em todo o país com a celebração da Quarta-feira de Cinzas, início do tempo quaresmal.

Os educadores Roberta Guedes e Carlos Eduardo Cardozo duratnte a gravação do podcast, com Marcus Tullius

No episódio Agir, o coordenador-geral da Pascom Brasil, Marcus Tullius, conversa com a gerente da Câmara de Educação Básica da Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), Roberta Guedes, e com o doutor em Educação e gestor educacional da Rede Filhas de Jesus, professor Carlos Eduardo Cardozo, conhecido como Cadu. A proposta de reflexão é pensar a educação para uma nova sociedade e um novo humanismo, tendo como base o Pacto Educativo Global, proposto pelo Papa Francisco.

Educação para uma nova sociedade e um novo humanismo

Para a professora Roberta, que é também doutoranda em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-Goiás), o tema da educação tem a proposta de colocar uma Igreja a serviço de uma mudança social. Para ela, é preciso

“Mostrar passos que movam as pessoas para que sejam testemunhas de um Cristo vivo e encarnado. E isso significa entender que a educação não vai resolver todos os problemas do mundo, mas é um dos recursos primordiais para combater as desigualdades sociais, preconceito e tantas coisas que têm trazido mazelas que acabam com a casa comum.”

Segundo Roberta, a mudança essencial no caminho educativo parte “tanto da questão da criatividade quanto da responsabilidade com a pessoa humana, colocando-a no centro do processo. O novo aprendizado é humanizar a educação”, afirmou.

Projeto de vida: fonte para uma nova sociedade 

Um dos pontos abordados pelo texto-base da Campanha, como resposta concreta no processo educativo, é o projeto de vida. O professor Cadu contextualiza que a primeira vez que a PJ (Pastoral da Juventude) começou a discutir o tema do projeto de vida foi em 1998. “Desde então, a PJ e a Igreja vão criando instrumentos e ferramentas para qualificar esta colaboração a crianças, jovens e outros adultos, o interlocutor da ação pastoral, na construção do projeto de vida”, destacou.

Para o educador, o tema do projeto veio à tona novamente, devido às discussões com o projeto do novo Ensino Médio e que pode confundir as pessoas, muito embora haja elementos que sejam comuns. Contudo, ele ressalta que o fundamento do projeto de vida é Jesus Cristo, garantindo a sua eclesialidade.

“Quando a Campanha da Fraternidade e a Igreja propõem o projeto de vida, está se pensando, primeiro, em uma vida integrada. A noção do projeto de vida na integralidade do sujeito em suas diversas dimensões. Pensar que a vida das pessoas esteja alinhada com a vontade de Deus na realização humana. Ou seja, qual é o sonho de Deus para a pessoa humana na sua vivência, na sua constituição humana? E este é um diferencial para a pastoral.”

Cadu ainda ressalta que é preciso aguçar os sonhos dos adolescentes e jovens. “Sem sonhos não dá para construir um projeto de vida.”

Pacto Educativo Global 

Papa em visita a uma escola italiana (Créditos: Vatican News)

Um dos pontos destacados durante a conversa e que está sendo basilar para a Campanha da Fraternidade é o Pacto Educativo Global. Segundo o site da ANEC, o pacto é “um chamado do Papa Francisco para que todas as pessoas no mundo, instituições, igrejas e governos priorizem uma educação humanista e solidária como modo de transformar a sociedade. No dia 15 de outubro de 2020 o Pacto foi lançado no Vaticano e, desde então, todo o globo tem se mobilizado para discutir, mobilizar e tornar o pacto algo concreto em nossas políticas educacionais e institucionais.” Para aprofundar o assunto e conferir materiais de apoio sobre o Pacto Educativo Global, há uma página especial preparada pela Associação da Educação Católica.

Para Cadu, o Papa Francisco, que é educador, desperta a Igreja, a partir do Pacto Educativo Global, para uma nova economia, uma nova relação com a ecologia e tudo é perpassado pela educação.

“Esse modelo de sociedade que temos atualmente se esgota do ponto de vista humano. É um modelo de sociedade que gera morte, que mata e não produz a vida.”

Uma das grandes contribuições do Pacto, segundo Roberta, é fazer com as pessoas deixem de ver as coisas por uma única ótica e compreendam que tudo está interligado. A doutorando em educação destaca que a importância de compreender a educação como uma obra plural e comunitária. “Não dá para eu ver a Amazônia pegando fogo e dizer que é uma questão climática só. Não dá para eu ver o Pantanal sendo destruído em chamas e dizer que foi um acidente. Não dá para eu ver o genocídio indígena e dizer que é uma briga entre garimpeiro e índios. Não dá para ver uma série de questões e dizer que isto não pode ser discutido na escola. Não, não dá!”.

“Mais do que nunca, quando a gente fala de um Pacto Educativo Global, a gente tem que pensar que é a educação é uma obra social. Educar é uma obra essencialmente social e não singular.”

Ainda sobre esta dimensão social do Pacto, o doutor em Educação, Carlos Eduardo, destaca que é ele composto de quatro atores: estado, sociedade civil, família e a escola.

“A Campanha da Fraternidade retoma os quatro atores pontuando esta integração e articulação na promoção da educação. Quando o Pacto e a Campanha falam de educação, não é só da educação formal. É da educação num conceito ampliado, de processos educativos que se estabelecem na família, na sociedade e na cultura, estabelecidos pelas políticas, pelo Estado, estabelecidos naturalmente nos processos da escola.”

A série CF 2022 

Para conferir todos os episódios da série produzida pela Pascom Brasil basta acessar o Spotify e principais agregadores de podcast.

O primeiro episódio conta com a participação do assessor da Comissão Episcopal Pastoral para Educação da CNBB, Pe. Júlio Evangelista, e do doutor em Ciências da Religião e professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Edebrande Cavalieri. Eles fazem uma contextualização histórica da CF, bem como das campanhas anteriores sobre Educação. É um episódio introdutório, que também destaca elementos para a vivência do tempo quaresmal.

No episódio Escutar, a conversa é com a doutoranda em Educação, membro do Grupo de Trabalho sobre o Ensino Religioso da Comissão Episcopal para Cultura e Educação da CNBB e da Pastoral da Educação do Regional Leste 1, Beatriz Leal, e o bispo auxiliar de Belo Horizonte, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB e reitor da PUC Minas, Dom Joaquim Mol. Eles ajudam na compreensão dos elementos de interpelação da educação formal no Brasil, os desafios postos pela pandemia de covid-19 e a pedagogia da escuta no processo educativo.

No terceiro episódio, marcado pelo verbo Discernir, quem ajuda na reflexão é a jornalista e professora universitária, Suzana Coutinho, e o coordenador do setor de Animação Pastoral da Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), Gregory Rial. Eles dialogam sobre a educação na fé, o papel da família no processo educativo e os horizontes da educação cristã integral.

 

Fonte: Último episódio de série da Pascom sobre a CF propõe pensar a educação para uma nova sociedade e um novo humanismo - CNBB



Francisco reza pelas vítimas das fortes chuvas em Petrópolis

No telegrama, o Santo Padre pede ao bispo de Petrópolis, dom Gregório Paixão Neto, para "transmitir às famílias das vítimas as suas condolências e a sua participação na dor de todos os enlutados ou despojados de seus haveres".

O Papa Francisco enviou um telegrama de pesar ao bispo de Petrópolis, dom Gregório Paixão Neto, pelas vítimas do temporal, na última terça-feira (15/02), que causou até agora 120 mortos. Segundo a Polícia Civil, foram feitos 116 registros de desaparecimentos, mas não se sabe quantos desses já foram encontrados.

O texto, assinado pelo secretário de Estado, cardeal Pietro Parolin, afirma que "ao tomar conhecimento com profundo pesar das trágicas consequências do deslizamento de terras nessa cidade", o Santo Padre "confia ao senhor bispo transmitir às famílias das vítimas as suas condolências e a sua participação na dor de todos os enlutados ou despojados de seus haveres. Pedindo a Deus Pai de misericórdia eterno repouso para os falecidos, conforto para os sinistrados aos quais deseja pronto restabelecimento e serenidade e consolação da esperança cristã para todos os atingidos pela dolorosa provação, envia a quantos estão em sofrimento e a quantos procuram aliviá-lo propiciadora bênção apostólica".

Fonte: Francisco reza pelas vítimas das fortes chuvas em Petrópolis - Vatican News


CELAM lança novo logotipo que preserva “a essência e o legado de mais de seis décadas de evangelização na América Latina e no Caribe”

Em linha com o processo de renovação e reestruturação que o Conselho Episcopal Latino-americano (CELAM) vem realizando, a resolução renovando a identidade gráfica da instituição, assinada por dom Miguel Cabrejos, presidente do CELAM, e dom Jorge Eduardo Lozano, secretário-geral, entrou em vigor em 15 de fevereiro de 2022.

O novo logotipo, como diz o texto, visa preservar “a essência e o legado de mais de seis décadas de evangelização na América Latina e no Caribe, um ponto de referência para a missão de nossa instituição”.

A proposta veio do Centro de Comunicações do CELAM, e foi apresentada numa reunião em 23 de novembro durante a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe. A partir de 15 de fevereiro “este novo logotipo será utilizado em material impresso, digital e audiovisual para renovar a identidade gráfica do CELAM de acordo com os novos tempos”.

Manual de utilização da marca

Para uma melhor utilização do novo logotipo, foi elaborado um manual de uso interno no qual são apresentados o novo visual gráfico e os elementos que o compõem, bem como as especificações técnicas a serem levadas em conta.

De acordo com o manual, o logotipo é baseado em elementos que representam a essência do CELAM. São usadas cores, tipografias e sinais visuais que têm um significado específico: o báculo, como peça que representa o episcopado e a vocação pastoral dos bispos; a cruz, que simboliza o cristianismo e a obra evangelizadora da Igreja; e o mapa da América Latina e do Caribe, o espaço missionário da instituição.

No logotipo, o báculo e a cruz se fundem como um único elemento, que se incorpora em um território, integrando-se de forma clara, dinâmica e versátil. Desta forma, a liderança dos pastores da Igreja Católica se expressa nos processos e ações pastorais que tornam possível a inculturação do Evangelho no “continente da esperança” e em uma perspectiva sinodal.

A cruz tem representado os quatro pontos cardeais, a união do céu e da terra, o equilíbrio entre atividade e passividade, e é também a representação do cristianismo.

O báculo é um símbolo de autoridade, de poder como serviço para administrar a justiça, de transformação e, inspirado no caiado do pastor, representa o ofício pastoral.

O mapa da América Latina e do Caribe simboliza o território de referência missionária do Celam. Sua estilização comunica dinamismo, abertura e comunhão.

 

Fonte: CELAM lança novo logotipo que preserva "a essência e o legado de mais de seis décadas de evangelização na América Latina e no Caribe" - CNBB


O Papa: quatro "proximidades", os pilares para uma vida sacerdotal no estilo de Deus

A proximidade a Deus, ao bispo, entre os presbíteros e ao povo: estas são as quatro atitudes "que dão solidez à pessoa" do sacerdote, apresentadas por Francisco em seu articulado discurso, na Sala Paulo VI, no Simpósio "Por uma teologia fundamental do sacerdócio", promovido pela Congregação para os Bispos.
Não "discursos intermináveis" e teorias "sobre o que deve ser a teologia do sacerdócio", mas quatro "proximidades", a Deus, ao bispo, entre os presbíteros e ao povo, que "podem ajudar de forma prática, concreta e esperançosa a reavivar o dom e a fecundidade que um dia nos foram prometidos" como presbíteros. O discurso do Papa Francisco na manhã desta quinta-feira no Simpósio "Por uma teologia fundamental do sacerdócio", promovido pela Congregação para os Bispos, na Sala Paulo VI, visa "compartilhar as atitudes que dão solidez à pessoa do sacerdote, os quatro pilares constitutivos de nossa vida sacerdotal" e que chama "as quatro proximidades", "porque seguem o estilo de Deus, que é fundamentalmente um estilo de proximidade".

Instrumentos concretos para os sacerdotes

Num articulado discurso, o Papa Francisco se refere a conceitos já expressos, especialmente na Evangelii Gaudium, sua primeira exortação apostólica, mas nos quais ele se detém "mais amplamente", pois o sacerdote "mais do que receitas ou teorias, precisa de instrumentos concretos para enfrentar seu ministério, sua missão e sua vida cotidiana". Suas palavras, esclarece, são "fruto do exercício de reflexão" sobre o testemunho "que recebi de tantos sacerdotes ao longo dos anos", contemplando "quais eram as características que os distinguiam e lhes davam uma força, uma alegria e uma esperança singulares em sua missão pastoral".

Proximidade que impede ao padre de levar uma vida de "solteiro"

A lógica da proximidade, esclarece Francisco, permite ao sacerdote "quebrar todas as tentações de fechamento, de autojustificação e de fazer uma vida de 'solteiro'", porque o convida a apelar para os outros "para encontrar o caminho que leva à verdade e à vida". São quatro dimensões que nos permitem, conclui, "administrar as tensões e desequilíbrios com que temos que lidar todos os dias", uma "boa escola para 'jogar em campo aberto', onde o sacerdote é chamado, sem medo, sem rigidez, sem reduzir ou empobrecer a missão". Não são "uma tarefa a mais", mas "um dom" que o Senhor nos dá "para manter viva e frutífera a vocação".

Papa Francisco
Papa Francisco

Para permanecer em paz nos momentos de provação e desolação

O Pontífice começa enfatizando que a "pequena coleta" que ele quer compartilhar, o Senhor lhe fez conhecer pouco a pouco, "durante estes mais de 50 anos de sacerdócio". Ao encontrar sacerdotes que "me mostraram o que dá forma ao rosto do Bom Pastor", mas também ao acompanhar irmãos sacerdotes que "haviam perdido o fogo do primeiro amor e seu ministério tinha se tornado estéril, repetitivo e sem sentido". Ele confessa que em algumas situações, "incluindo momentos de provação, dificuldade e desolação, quando eu vivia e compartilhava a vida de uma certa maneira tinha paz".

A atitude correta para acolher a mudança

A premissa do Papa Francisco é dedicada à atitude correta para acolher a mudança de época que a Covid "tornou mais do que evidente". Não a fuga "em direção ao passado", buscando "formas codificadas" que "nos garantam" "uma espécie de proteção contra riscos", mas nem "em direção ao futuro" com "um otimismo exasperado" que "consagra" a última novidade "como o que é verdadeiramente real, desprezando assim a sabedoria dos anos".

Em vez disso, eu gosto da atitude que vem de assumir com confiança o controle da realidade, ancorada na sábia e viva Tradição da Igreja, que pode se permitir de sair mar adentro, sem medo. Sinto que Jesus, neste momento da história, está nos convidando mais uma vez a "sair mar adentro" com a confiança de que Ele é o Senhor da história e que, guiados por Ele, seremos capazes de discernir o horizonte a ser percorrido.

Papa Francisco e o cardeal Ouellet
Papa Francisco e o cardeal Ouellet

As vocações genuínas em comunidades vivas e fraternas

"Discernir a vontade de Deus", explica o Papa, "significa aprender a interpretar a realidade com os olhos do Senhor, sem a necessidade de fugir do que acontece com nosso povo onde ele vive, sem a ansiedade que nos leva a buscar uma saída rápida e tranquilizadora, guiada pela ideologia do momento ou por uma resposta pré-fabricada". Um desafio a ser enfrentado também na vida sacerdotal. A crise vocacional, segundo Francisco, deve-se muitas vezes "à ausência nas comunidades de um fervor apostólico contagiante, por isso não entusiasmam e não despertam atração". Onde há vida, "o desejo de levar Cristo aos outros", surgem vocações genuínas.

Mesmo em paróquias onde os sacerdotes não são muito comprometidos e alegres, é a vida fraterna e fervorosa da comunidade que suscita o desejo de consagrar-se inteiramente a Deus e à evangelização, especialmente se esta comunidade vivaz reza insistentemente pelas vocações e tem a coragem de propor aos seus jovens um caminho de especial consagração.

O Senhor nos encontrou como éramos

O Pontífice convida então a ter cuidado com a tentação de "viver um sacerdócio sem Batismo, sem a memória de que o nosso primeiro chamado é à santidade". A fonte da esperança é Deus que sempre nos ama primeiro, e que "mesmo em meio à crise", não cessa de amar "e, portanto, de chamar". E disso, continua, dirigindo-se aos irmãos no sacerdócio presentes na Sala Paulo VI, "cada um de nós é testemunha: um dia o Senhor nos encontrou onde estávamos e como estávamos, em ambientes contraditórios ou com situações familiares complexas; mas isso não o distraiu de querer escrever, através de cada um de nós, a história da salvação".

Cada um, olhando para sua própria humanidade, sua própria história, seu próprio caráter, não deve se perguntar se uma escolha vocacional é conveniente ou não, mas se em consciência essa vocação revela nele aquele potencial de Amor que recebemos no dia de nosso Batismo.

A proximidade a Deus

Por esta razão, o Papa Francisco mergulha nas quatro "proximidades", que ele chama de "fundamentos sólidos" para a vida de um sacerdote hoje, começando com a proximidade de Deus, "proximidade ao Senhor das proximidades". Sem "um relacionamento significativo com o Senhor", reitera, "nosso ministério está destinado a se tornar estéril".

A proximidade com Jesus, o contato com sua Palavra, nos permite confrontar a nossa vida com a sua e aprender a não nos escandalizarmos de nada do que nos acontece, a nos defendermos dos "escândalos".

Papa Francisco e o cardeal Ouellet
Papa Francisco e o cardeal Ouellet

Sem a oração, um padre está sozinho um "trabalhador cansado"

Muitas crises sacerdotais, continua o Papa, "têm sua origem precisamente em uma vida pobre de oração, uma falta de intimidade com o Senhor, uma redução da vida espiritual à mera prática religiosa". Em momentos importantes "de minha vida", confessa, "esta proximidade com o Senhor foi decisiva para me sustentar". Sem a proximidade concreta "na escuta da Palavra, na celebração eucarística, no silêncio da adoração, na entrega a Maria, no acompanhamento sábio de um guia, no sacramento da Reconciliação", um sacerdote é "somente um trabalhador cansado que não desfruta dos benefícios dos amigos do Senhor".

Renunciar ao ativismo, crescer na oração

Francisco lamenta que "demasiadas vezes, na vida sacerdotal, a oração é praticada apenas como um dever", enquanto "um padre que reza é um filho que se faz próximo do Senhor". É necessário, entretanto, acostumar-se a "ter espaços de silêncio durante o dia". Devemos conseguir "renunciar ao ativismo", aceitando "a desolação que vem do silêncio, do jejum das atividades e das palavras, da coragem de nos examinarmos com sinceridade". Perseverar na oração, para o Pontífice, significa "não fugir quando a própria oração nos conduz ao deserto". O caminho do deserto é o caminho que leva à intimidade com Deus, com a condição, porém, de não fugirmos, de não encontrarmos meios para escapar deste encontro".

Um sacerdote deve ter um coração "largo" o suficiente para dar lugar à dor do povo a ele confiado e, ao mesmo tempo, como sentinela, anunciar a aurora da graça de Deus que se manifesta precisamente nessa dor.

Aceitar a própria miséria para abrir espaço a dos fiéis

De fato, explica o Papa Francisco, "abraçar, aceitar e apresentar a própria miséria na proximidade ao Senhor" para o sacerdote "será a melhor escola para poder, pouco a pouco, dar lugar a toda a miséria e dor que encontrará diariamente em seu ministério, a ponto de tornar-se ele mesmo como o coração de Cristo".

Proximidade ao bispo

Falando então da proximidade ao bispo, o Papa lamenta que "durante muito tempo foi lida apenas de forma unilateral", dando à obediência "uma interpretação longe do sentimento do Evangelho". De fato, obediência significa "aprender a ouvir e lembrar que ninguém pode afirmar ser detentor da vontade de Deus, e que ela deve ser entendida somente através do discernimento". E a relação de bondade com o bispo, como as outras três "proximidades", torna possível quebrar toda tentação de fechar-se em si mesmo e ajuda todo sacerdote e toda Igreja particular "a discernir a vontade de Deus".

Mas não devemos esquecer que o próprio bispo só pode ser um instrumento deste discernimento se ele também escutar a realidade de seus presbíteros e do povo santo de Deus a ele confiado.

A oração dos sacerdotes, a escuta dos bispos

Francisco lembra que na Evangelii gaudium recomendava de "praticar a arte de escutar, que é mais do que ouvir". A primeira coisa, na comunicação com o outro, é a capacidade do coração que torna possível a proximidade, sem a qual não há um verdadeiro encontro espiritual". Portanto, a obediência "também pode ser confronto, escuta e, em alguns casos, tensão".

Isto exige necessariamente que os sacerdotes rezem pelos bispos e saibam expressar sua opinião com respeito e sinceridade. Requer também humildade por parte dos bispos, a capacidade de ouvir, de ser autocrítico e de se deixar ajudar. Se defendermos este elo, prosseguiremos com segurança em nosso caminho.

A proximidade entre os sacerdotes

A terceira proximidade, aquela entre os sacerdotes, para o Pontífice é expressa na fraternidade, que é "escolher deliberadamente procurar ser santo com os outros e não em solidão". Para explicar suas características "que são as do amor", pede ajuda ao "mapa" do capítulo 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios. Fraternidade, portanto, significa paciência, "a capacidade de sentir-se responsável pelos outros, de carregar seus fardos", longe da inveja, a incapacidade de alegrar-se "quando vejo o bem na vida dos outros", que " tanto atormenta os nossos ambientes e que é uma fadiga na pedagogia do amor, e não simplesmente um pecado a ser confessado". Na fraternidade, "não precisamos nos vangloriar", nem faltar "respeito para com aqueles que nos circundam". O amor fraterno, lembra o Papa Francisco, "não busca seu próprio interesse, não deixa espaço para a raiva, para o ressentimento", não se lembra "para sempre do mal recebido" a ponto de talvez "gozar da injustiça quando se trata da pessoa que me fez sofrer", e "considera um pecado grave atacar a verdade e a dignidade dos irmãos através de calúnias, maledicências, fofocas".

A fraternidade não é utopia, mas um campo de treinamento para o espírito

Não é uma utopia, assegura Francisco, mesmo que "todos saibamos como pode ser difícil viver em comunidade, compartilhar a vida cotidiana com aqueles que quisemos reconhecer como irmãos".

O amor fraterno, se não queremos adoçá-lo, acomodá-lo ou menosprezá-lo, é a "grande profecia" de que, nesta sociedade de desperdício, somos chamados a viver. Eu gosto de pensar no amor fraterno como uma academia do espírito, onde dia após dia nos confrontamos e temos o termômetro de nossa vida espiritual.

Fraternidade que ajuda a viver serenamente o celibato

Somente "quem procura amar está seguro", resume o Pontífice, porque "quem vive com a síndrome de Caim", convencido "de que não pode amar porque sente sempre de não ter sido amado", justamente por causa disso "é mais expostos ao mal: a se machucar e a fazer o mal".

Eu diria até mesmo que onde a fraternidade sacerdotal funciona e existem laços de verdadeira amizade, também é possível viver a escolha celibatária com maior serenidade.

O celibato, de fato, "é um dom que, para ser vivido como santificação, requer relações saudáveis, relações de verdadeira estima e verdadeira bondade que encontram sua raiz em Cristo". Sem amigos e sem oração, recorda o Papa Francisco, "pode tornar-se um fardo insuportável e um contra-testemunho da própria beleza do sacerdócio".

Proximidade ao povo

A quarta proximidade, "o relacionamento com o Povo Santo de Deus", sublinha o Papa, "não é para cada um de nós um dever, mas uma graça", o que favorece "o encontro em plenitude com Deus", como já está escrito na Evangelii gaudium. O lugar de todo sacerdote "é no meio do povo", para descobrir que Jesus crucificado "quer nos usar para nos aproximar cada vez mais de seu amado povo". Ele "quer que toquemos a miséria humana", e que conheçamos "o poder da ternura". Esta proximidade, como os outros, convida o Papa, de fato "exige, continuar o estilo do Senhor", feito "de compaixão e ternura, porque ele é capaz de caminhar não como um juiz, mas como o Bom Samaritano". Como aquele que "reconhece as feridas de seu povo", os sacrifícios "de tantos pais e mães para manter suas famílias, e também as consequências da violência, corrupção e indiferença".

É decisivo lembrar que o Povo de Deus espera encontrar pastores no estilo de Jesus - e não "clérigos de estado" ou "profissionais do sagrado" -; pastores que conhecem a compaixão e a oportunidade; homens corajosos, capazes de parar diante dos feridos e estender a mão; homens contemplativos que, em sua proximidade ao seu povo, podem proclamar a força operante da Ressurreição sobre as feridas do mundo.

A proximidade do pastor encoraja a pertença

Em uma sociedade onde estamos "conectados a tudo e a todos, nos falta a experiência de pertencer, que é muito mais do que uma conexão". Mas, lembra Francisco, "com a proximidade de pastor podemos convocar a comunidade e fomentar o crescimento de um sentimento de pertença". Um antídoto "contra uma deformação da vocação", esquecer "que a vida sacerdotal é para os outros, para o Senhor e para o povo por Ele confiado". Um esquecimento que "está na raiz do clericalismo e de suas consequências".

O clericalismo é uma perversão porque é construído sobre o "distanciamento". Quando penso no clericalismo, penso também na clericalização dos leigos: a promoção de uma pequena elite em torno do padre que também acaba distorcendo sua missão fundamental.

Como é minha proximidade?

Em conclusão, o Pontífice relaciona "esta proximidade com o Povo de Deus com a proximidade de Deus", pois quando reza "o pastor traz as marcas das feridas e alegrias de seu povo, que ele apresenta em silêncio ao Senhor para ungi-las com o dom do Espírito Santo".

Bispos e padres fariam bem em se perguntar "como vão as minhas proximidades", como estou vivendo estas quatro dimensões que moldam meu ser sacerdotal de forma transversal e me permitem administrar as tensões e desequilíbrios com os quais temos que lidar todos os dias. Estas quatro proximidades são uma boa escola para "jogar em campo aberto", onde o sacerdote é chamado, sem medo, sem rigidez, sem reduzir ou empobrecer a missão.

Proximidade com o estilo de Deus: compaixão e ternura

Estas proximidades do Senhor, resume novamente o Papa Francisco, "não são uma tarefa a mais: são um dom que Ele dá para manter viva e fecunda a vocação". Para evitar a tentação de "fechar-nos em discursos e discussões intermináveis sobre a teologia do sacerdócio ou sobre teorias do que deveria ser", o Senhor, com ternura e compaixão, "oferece aos sacerdotes as coordenadas para reconhecer e manter vivo o ardor pela missão: proximidade, proximidade a Deus, ao bispo, aos irmãos sacerdotes e ao povo a eles confiado". A proximidade no estilo de Deus, que está próximo com compaixão e ternura"

Fonte: O Papa: quatro "proximidades", os pilares para uma vida sacerdotal no estilo de Deus - Vatican News


Presidência da CNBB pede união dos cristãos católicos no amparo às famílias enlutadas e desabrigadas, vítimas das chuvas em Petrópolis (RJ)

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou mensagem nesta quarta-feira, 16 de fevereiro, por ocasião das fortes chuvas que caíram em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, provocando dezenas de mortes.

A presidência afirmou que a tragédia envolve-nos em profunda tristeza. “Essa consternação toca a nossa fé cristã, impelindo-nos a agir solidariamente. Unamo-nos, em comunhão, a dom Gregório Paixão e ao amado povo de Deus na diocese de Petrópolis. As nossas preces levam o nome de cada irmão e irmã, vítimas dessa tragédia, ao coração de Jesus”, diz.

Na sequência, a presidência convoca todos a testemunhar a fé, exercendo a solidariedade:

“Pedimos a cada cristão católico, aos homens e mulheres de boa vontade, que se compadeçam daqueles que perderam o pouco que possuíam, vítimas da tragédia climática. Especialmente, levemos amparo às famílias enlutadas e desabrigadas. A nossa Igreja já se mobiliza para ajudar. Sigamos todos juntos”.

O texto diz, ainda, que este clamor por iniciativas de amparo às vítimas precisa ser acolhido especialmente por governantes. “Trata-se de compromisso cristão e irrenunciável tarefa daqueles que ocupam cargos nas instâncias do poder. Petrópolis pede ajuda urgentemente!”, exorta.

“Convictos de que somos corresponsáveis uns pelos outros, possamos exercer a amizade social, conforme sempre nos orienta o amado Papa Francisco. Assim, ainda mais firmemente, seguiremos os passos de nosso Mestre Jesus”.

Confira a mensagem da presidência na íntegra:

 

Brasília-DF, 16 de fevereiro de 2022

Saúde e paz, amados e amadas de Deus!

A tragédia provocada pelas fortes chuvas na cidade de Petrópolis (RJ), com dezenas de mortes, envolve-nos em profunda tristeza. Essa consternação toca a nossa fé cristã, impelindo-nos a agir solidariamente. Unamo-nos, em comunhão, a Dom Gregório Paixão e ao amado povo de Deus na Diocese de Petrópolis. As nossas preces levam o nome de cada irmão e irmã, vítimas dessa tragédia, ao coração de Jesus. Somos todos convocados a testemunhar a nossa fé, exercendo a solidariedade: pedimos a cada cristão católico, aos homens e mulheres de boa vontade, que se compadeçam daqueles que perderam o pouco que possuiam, vítimas da tragédia climática. Especialmente, levemos amparo às famílias enlutadas e desabrigadas. A nossa Igreja já se mobiliza para ajudar. Sigamos todos juntos.

Este clamor por iniciativas de amparo às vítimas precisa ser acolhido especialmente por governantes – trata-se de compromisso cristão e irrenunciável tarefa daqueles que ocupam cargos nas instâncias do poder. Petrópolis pede ajuda urgentemente!

Convictos de que somos corresponsáveis uns pelos outros, possamos exercer a amizade social, conforme sempre nos orienta o amado Papa Francisco. Assim, ainda mais firmemente, seguiremos os passos de nosso Mestre Jesus.

Fraterno abraço, com muito apreço,

D. Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte, MG
Presidente

D. Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre, RS
1º Vice-Presidente

D. Mário Antônio da Silva
Bispo de Roraima, RR
2º Vice-Presidente

D. Joel Portella Amado
Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, RJ
Secretário-Geral


Campanha da Fraternidade convida clero e fiéis à educação integral que promova cultura do encontro

Em 2022, o tema da CF será “Fraternidade e Educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26). Tradicionalmente, na Diocese de Marília, padres e agentes de pastoral recebem formação nas Regiões Pastorais. De acordo com o padre assessor, a iniciativa “tem como objetivo educar para a fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho, a fim de que todos tenham vida, e vida em plenitude”.

Com a celebração da Quarta-feira no próximo dia 2 de março, a Igreja inicia o período da Quarema. No Brasil, todos os anos desde a década de 60, este momento litúrgico, marcado pela oração e convite à conversão, recebe a Campanha da Fraternidade (CF) como base para a reflexão dos fiéis.

Para a CF, sempre “um tema social é escolhido para ser debatido, refletido e principalmente assumido, como compromisso de vida, para a transformação da sociedade, a partir das interpelações que estes temas nos provocam”, indicou o Pe. Danilo Nobre dos Santos, assessor da CF na Diocese. Em 2022, o tema da CF será “Fraternidade e Educação” e o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31, 26).

Segundo o sacerdote, a iniciativa “tem como objetivo educar para a fraternidade, com base na justiça e no amor, exigências centrais do Evangelho, a fim de que todos tenham vida, e vida em plenitude”. Realizada em todos os anos, o sacerdote explicou que a CF “convoca a todos os cristãos e os homens de boa vontade a viverem autenticamente o período quaresmal como um caminho de renovação interior que incide na vida do próximo”.

Para que o clero e os fiéis conheçam a abordagem da CF e sejam propagadores da proposta junto à reflexão quaresmal, há anos a Diocese de Marília oferece momentos formativos para o clero e agentes nas regiões pastorais. No dia 09 de fevereiro, os padres e consagrados da Região Pastoral III estiveram no Santuário Nossa Senhora de Fátima, de Dracena, para a reflexão. Na mesma cidade, mas no domingo, dia 13, foi a vez dos agentes de pastoral na Paróquia Nossa Senhora Aparecida.

Hoje, dia 16, em Parapuã, o clero e religiosos da Região Pastoral II se reuniram para o estudo. No próximo domingo, dia 20, serão os agentes de pastoral estarão no mesmo local para a formação.

Na próxima semana, a experiência formativa da CF será na Região Pastoral I. No dia 23, em Vera Cruz, no Santuário Sagrado Coração de Jesus, será a vez dos padres e consagrados e, em Marília, o domingo será de reflexão para os leigos e leigas em Marília, na Paróquia Santo Antônio.

“Convidamos todos os agentes de pastoral ligados à CF, os profissionais da educação e a todas as pessoas interessadas pelo tema, que participem conosco destes momentos formativos, a fim de que desenvolvamos bem esta nova Campanha em nossa Diocese com o compromisso de nossa participação concreta na Coleta da Solidariedade, prevista para o dia 10 de abril, Domingo de Ramos, em todas as comunidades paroquiais”, afirmou o Pe. Danilo.

EDUCAÇÃO

Em entrevista, o assessor disse que “é a terceira vez que a Campanha abordará o tema da Educação”. A primeira, em 1982, foi acompanhando o nascimento da Pastoral da Educação e, em 1998, mais uma vez a CF abordou o temática “fazendo lembrar o papel da família como primeira educadora da sociedade”, explicou.

Neste ano, a proposta da CF é impulsionada pelo Pacto Educativo Global, inspiração do Papa Francisco, com uma convocação para que todos os atores envolvidos no processo educativo, isto é, “as famílias, as Igrejas, as escolas e toda a sociedade, assumam uma educação integral que promova a cultura do encontro para uma sociedade mais sustentável, respeitosa dos direitos humanos e que cuide do planeta, nossa Casa Comum”.


A informação e a interatividade foram levadas em consideração na estruturação do website que recebeu um visual mais contemporâneo que se alinha com os novos recursos tecnológicos. Pela página da internet, fiéis poderão fazer seus pedidos de oração de modo reservado.

Neste dia 16 de fevereiro, a Diocese de Marília celebra seus 70 anos de criação. A instalação, porém, ocorreu no dia 12 de outubro de 1952. Por isso, para comemorar a Bodas de Vinho, uma série de atividades estão sendo programadas ao longo de 2022, como a visita missionária das relíquias de Santa Teresa de Lisieux.

Como primeira atividade da celebração dos 70 anos, a Diocese lança hoje seu novo site. Com o objetivo de proporcionar mais interatividade entre o clero, os fiéis e a sociedade, o website da Diocese de Marília ganhou uma repaginação completa que buscou a melhoria da ergonomia de navegação e a ampliação da cadeia de dispositivos que podem acessá-lo.

O novo layout, desenvolvido pela Adora Comunicação, agência católica especializada em comunicação eclesial, recebeu a cooperação dos colaboradores do Departamento de Comunicação da Diocese e do Centro Diocesano de Pastoral (CDP).

“Com nossas ações na área da comunicação, aliadas ao esforço evangelizador de toda a Diocese, queremos instaurar cada vez mais uma comunicação que integre as paróquias, pastorais, movimentos e organismos para gerar a comunhão, pressuposto básico da missão eclesial!”, disse o Pe. Tiago Barbosa, assessor da Pastoral da Comunicação (Pascom).

Para o publicitário Vinícius Cruz, colaborador do Departamento de Comunicação, a informação e a interatividade foram levadas em consideração na estruturação da página na web com um visual mais contemporâneo que se alinha com os novos recursos tecnológicos, e ressaltou uma novidade: “contamos com uma área onde os internautas podem fazer seus pedidos de oração”.

Os pedidos têm caráter reservado e, por isso, não se tornarão públicos. Levados aos alteres de toda a Diocese, “estaremos sempre unidos também nas preces”, enfatizou o Pe. Tiago.

IDENTIDADE VISUAL

A logo das Bodas de Vinho acompanhará todas as atividades programadas para a celebração ao longo do ano. Conheça os elementos que integram a identidade visual das sete décadas de evangelização da Diocese de Marília:

  • Ao centro, o círculo na cor vinho lembra a aliança de Deus para com a humanidade e, como os 70 anos remetem as Bodas de Vinho, o roxo simboliza que há sete décadas a aliança de Deus é manifestada no território diocesano por meio da ação evangelizadora da Diocese;
  • Cruz: centro da fé e sentido primordial do esforço de nossos bispos, padres, diáconos, religiosos, religiosas, leigos e leigas ao longo dos 70 anos de história;
  • os elementos dos 70 anos e cruz, juntos, lembram a comemoração e suas cores as três regiões pastorais que compõem a Diocese de Marília. O azul remete a Região Pastoral III e recorda o Rio Paraná que marca fortemente das cidades que integram este limite territorial; já a cor vermelha simboliza o solo e a agricultura, base da economia da Região Pastoral II, sobretudo o café, o amendoim e a pecuária; e, por fim, a cor amarela sinaliza a indústria alimentícia que caracteriza a Região Pastoral I;
  • a indicação da Diocese e dos anos em torno da aliança reforçam o compromisso na efetivação do Reino de Deus por meio da evangelização;
  • lema “Comunhão, Participação e Missão”, o mesmo do Sínodo 2021-2023, enaltece a eclesiologia e o comprometimento da Diocese para com o Magistério eclesial e com o Papa Francisco.


Dom Pedro Brito: 2º aniversário da “Querida Amazónia”

O arcebispo de Palmas (TO) avalia que três pontos positivos estão acontecendo na Amazônia e que vem do Sínodo, da sua preparação e da recepção da Querida Amazônia: a reunião, a revisão e a recriação.

No dia 12 de fevereiro celebrou-se o aniversário de dois anos da publicação pelo Papa Francisco da exortação apostólica pós-sinodal “Querida Amazónia”, documento no qual o Santo Padre compartilhou, a partir das reflexões do Sínodo especial sobre o bioma, os sonhos em relação à situação eclesial e socioambiental no território, como também em toda a Igreja universal.

Para marcar esta data, o portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) iniciou uma série de entrevistas com bispos que atuam no bioma e com os presidentes dos regionais presentes no território. O primeiro deles é o arcebispo de Palmas (TO) e presidente do regional Norte 3 da CNBB que engloba os estados do Tocantins, o sudeste do Pará e o nordeste do Mato Grosso, dom Pedro Brito Guimarães.

O arcebispo avalia que três pontos positivos estão acontecendo na Amazônia e que vem do Sínodo, da sua preparação e da recepção da Querida Amazónia: a reunião, a revisão e a recriação. “Me parece que estes três pontos estão em processo de entendimento e de implantação. São processos lentos, graduais, invisíveis, mas estão sendo formatados no coração da Igreja e dos fieis na Amazônia em relação a este bioma”, afirmou. Conheça, abaixo, a entrevista na íntegra.

Passados dois anos, desde a exortação apostólica pós-sinodal “Querida Amazônia”, do Papa Francisco, qual a percepção do senhor em relação à presença e as respostas da Igreja no Brasil à realidade vivido pelo Bioma? Percebe alguma mudança?

O tempo corre veloz. Já se forma dois anos da publicação da encíclica do Papa Francisco, “Querida Amazónia”. Fazendo uma retrospectiva da chegada desta Encíclica, a leitura e a compreensão demandou tempo porque ela chegou quase no início da pandemia da Covid-19. Foi uma agradável surpresa esta carta. Primeiramente pelo estilo. Na verdade, esta carta que chamo de registro gramatical, é uma verdadeira carta de amor à nossa região, à região Amazônica com todas as suas belezas, riquezas, debilidades, conflitos, problemas e desafios.

Eu queria destacar este gênero literário. Quando todo mundo esperava um documento dogmático, canônico, de permissão e proibição, como é o estilo de nós todos. E chegou uma carta de amor, o que para alguns foi um banho de água fria mas para nós que temos este viés mais poético, aliás ela está cheia de poesia, este viés mais místico e contemplativo, esta carta o grande significado e mudança está no estilo, no gênero literário e nas abordagens, sobretudo, dos sonhos. Isto parecia pouco para muita gente. Porque sonho é uma coisa tão normal que as pessoas não dão muito valor. A partir de agora as pessoas consideram que sonho é uma coisa de quem não tem o que fazer e está dormindo num travesseiro, numa cama. Sonho é querer, é sede e desejo. Aí da pessoa, organismo e instituição que não tenha sonhos ou quem não sonhe mais. Quem não sonha mais morreu.

A mudança não foi da encíclica para a realidade, mas da realidade para com a encíclica. A assimilação, o discernimento, nós ganhamos muito na compreensão na forma de olhar a natureza, essa região e bioma, na perspectiva afetiva, com um olhar menos intelectual e racional, mas guiado por uma teologia do coração.

Quais os desafios ainda permanecem em relação à presença da Igreja no Brasil no Bioma?

Eu destacaria que no mesmo território, e bioma, existem vários atores em vários setores, competindo, querendo seu espaço, tempo, seu ganho, a sua presença. Isto cria um desafio. Eu diria que o maior desafio da Amazônia é o desafio da missão, maior desafio da Igreja. Não existe outro desafio maior que este. O dinheiro por exemplo não é um desafio tão intransponível quanto à missão. Recentemente lemos a cura da filha da cananeia. Se a gente olhar aquele texto, a gente olha para o lado do costume. Mas ali está o desafio da missão numa das primeiras vezes que Jesus sai do território sagrado dos judeus, da terra prometida e vai ao limite do paganismo. Como se dialoga com o pagão? Como a gente vence as barreiras das religiões e dos entendimentos? O desafio da Amazônia é o desafio da missão da Igreja. No dia em que a Igreja vencer este desafio pode dizer que acabou sua missão, apagar as luzes, fechar as portas e deixar de existir. Mas isto também é o combustível para o missionário. Quanto maior o desafio, maior a paixão e a vontade de fazer acontecer dos missionários.

Quais os pontos positivos o senhor destacaria da presença da Igreja no Bioma?

Eu vou usar três palavras para descrever a nossa disposição com relação ao serviços da Igreja na Amazônia. Eu diria que a nossa missão na Amazônia tem que ser a partir da concepção de reunião. “Reunião” significa dizer que alguma coisa não está articulada e reunida e que nós vamos fazer uma reunião. Esse é o conceito. A Igreja precisa reunir o disperso, o tempo perdido, os conflitos, os pareceres, deixar esta emoção muito forte de lado e colocar os pés no chão e fazer esta reunião. Uma segunda palavra é “recriar”, refazer. A gente tem que criar algo novo, a mentalidade, a cultura, a esperança, fé e a paciência. Estas duas palavras descrevem bem o que queremos fazer em relação à Amazônia. A terceira palavra é “revisão” que significa ver de novo, a partir de um discernimento e um olhar diferente. Ver novamente, com olhos novos.

Eu diria que os três pontos positivos positivos que estão acontecendo na Amazônia e que vem do Sínodo, da preparação do Sínodo e da Querida Amazônia são a reunião, a revisão e a recriação. Me parece que estes três pontos estão em processo de entendimento e de implantação. São processos lentos, graduais, invisíveis mas estão sendo formatados no coração da Igreja e dos fieis na Amazônia em relação este bioma. Espero que com uma reunião, revisão e recriação a gente dê um salto de qualidade para a missão da Igreja na Amazônia. É o que eu penso.

Fonte: Dom Pedro Brito: 2º aniversário da “Querida Amazónia” - Vatican News


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