Papa aos universitários, reunir dois universos: do mundo e do homem

“Na universidade se encontram dois universos: o do mundo, do conhecimento, e o do homem, daquele jovem, com a sua história e a sua personalidade, os seus sonhos”. Palavras do Papa Francisco aos professores e estudantes da Universidade de Macerata na manhã desta segunda-feira (9) no Vaticano

Jane Nogara - Vatican News

Nesta segunda-feira (09) o Papa Francisco recebeu os professores e estudantes da Universidade de Macerata, que se encontra no sul da Itália. No início de seu discurso disse aos presentes: “A universidade é - ou pelo menos deveria ser - o lugar onde a mente se abre para os horizontes do conhecimento, para os horizontes da vida, do mundo, da história. Naturalmente, isto parte de uma perspectiva precisa – continuou o Papa - do estudo profundo e metódico de uma área temática, mas sempre com uma mente aberta, sempre para um conhecimento integral do mundo e do homem.

Ouça: https://media.vaticannews.va/media/audio/s1/2022/05/09/12/136559065_F136559065.mp3

Encontros de universos

Recordando que cada estudante, “que cruza o limiar da universidade e a frequenta por alguns anos, cada um deles é, em si mesmo, um universo. Na universidade – disse ainda o Pontífice - se encontram dois universos: o do mundo, do conhecimento, e o do homem; não do homem genérico, que não existe, mas exatamente daquela pessoa, daquele jovem, com a sua história e a sua personalidade, os seus sonhos e as suas qualidades intelectuais, morais e espirituais...".

“Cada pessoa é um universo, que só Deus conhece plenamente, com um respeito incomparável”

Concluindo seu pensamento afirmou: “Este, eu diria, é o desafio da universidade: reunir estes dois horizontes, o do mundo e o pessoal, para que eles possam dialogar, e deste diálogo nasce o crescimento da humanidade”.

São João Newman

Depois Francisco recordou ainda de algumas reflexões de São João Newman sobre a universidade quando afirmava que no ambiente universitário, o jovem "forma um hábito mental que dura toda uma vida, cujos atributos são liberdade, justiça, calma, moderação e sabedoria". Ponderando em seguida que “este crescimento humano das pessoas só pode ter um impacto positivo na sociedade. Portanto, investir na formação, nas escolas e nas universidades é o melhor investimento para o futuro de um país. Sabemos disso, muitas vezes ouvimos repetir, mas as decisões nem sempre são tomadas de forma consistente”, concluiu o Papa.

Diálogo e encontro de culturas

Por fim Francisco falou de um outro aspecto: o do encontro entre diferentes culturas. “Estamos bem cientes de que isto não é automático. Não é suficiente reunir professores e alunos de diferentes origens. Precisamos desenvolver uma cultura de encontro. A universidade é certamente um lugar privilegiado para se fazer isso”. "Macerata - disse ainda o Papa - é o local de nascimento de um grande 'campeão' desta cultura, Padre Matteo Ricci. Ele é grande, não só pelas coisas que nos escreveu, ele é grande porque é um homem de encontros, um homem da cultura do encontro, um homem que foi além de ser estrangeiro, ele se tornou um cidadão do mundo porque é um 'cidadão das pessoas' porque esta é a cultura do encontro. E certamente a universidade é um lugar privilegiado para este encontro". Por fim disse: “Quanta necessidade existe hoje, em todos os níveis, de seguir resolutamente este caminho, o caminho do diálogo!”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-05/papa-universidade-macerata-estudantes-desafios.html


O Papa: o cristão é filho da escuta

“O Senhor é a Palavra do Pai e o cristão é 'filho da escuta', chamado a viver com a Palavra de Deus ao alcance da mão”, palavras do Papa Francisco durante o Regina Coeli deste domingo, 8 de maio

Jane Nogara - Vatican News

No 4° Domingo de Páscoa (08/05) durante o Regina Caeli, Francisco falou sobre “o bom pastor”. Para recordar esta “terna e bela imagem” do pastor com suas ovelhas, o Papa usou três verbos, presentes no Evangelho de João, refletindo sobre eles: escutar, conhecer, seguir.

Escutar

“Antes de tudo, as ovelhas escutam a voz do pastor. A iniciativa vem sempre do Senhor; tudo parte da sua graça: é Ele quem nos chama à comunhão com Ele. Mas esta comunhão se realiza se nos abrirmos à escuta. Escutar significa disponibilidade, docilidade, tempo dedicado ao diálogo”. O Papa destacou que a escuta é fundamental para o Senhor, explicando:

“O Senhor é a Palavra do Pai e o cristão é filho da escuta, chamado a viver com a Palavra de Deus ao alcance da mão”

Recomendando que escutemos os outros, pois “quem escuta os outros também escuta o Senhor, e vice-versa”. "Hoje estamos sobrecarregados de palavras - disse ainda o Papa - e com a pressa de sempre ter que dizer e fazer alguma coisa, na verdade quantas vezes duas pessoas estão falando e uma não espera que a outra termine seu pensamento, ela corta a conversa pela metade,  responde sem esperar .. Mas se você não o deixa falar, não há escuta. Este é um mal do nosso tempo. Hoje estamos sobrecarregados pelas palavras, pela pressa de sempre ter que dizer algo, temos medo do silêncio".

Conhecer

“Escutar Jesus torna-se assim o caminho para descobrir que Ele nos conhece. Aqui está o segundo verbo, que diz respeito ao bom pastor: Ele conhece suas ovelhas”, explica Francisco. Enfatizando:

“Conhecer no sentido bíblico significa amar. Significa que o Senhor, enquanto ‘nos lê por dentro’, nos ama”

“Ele quer nos dar um novo e maravilhoso conhecimento – continua o Papa - o de saber que somos sempre amados por Ele e, portanto, nunca deixados sós, a nós mesmos”. Neste ponto o Papa adverte que devemos nos perguntar: “eu me deixo ser conhecido pelo Senhor? Eu lhe abro espaço na minha vida, levo-lhe o que eu vivo?”

Seguir

Ao refletir sobre o terceiro verbo sobre o bom pastor Francisco disse: “As ovelhas que escutam e se descobrem conhecidas seguem o seu pastor. E quem segue a Cristo, o que faz? Vai para onde Ele for, na mesma estrada, na mesma direção”. Recordando ainda que seguir significa interessar-se pelos que estão longe, carregar no coração a situação dos que sofrem, sabe chorar com os que choram, estender a mão ao próximo, carregá-lo sobre os ombros.

O Papa concluiu invocando:

“Que a Virgem Santíssima nos ajude a escutar Cristo, a conhecê-lo cada vez mais e a segui-lo no caminho do serviço”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-05/papa-francisco-regina-caeli-8-de-maio.html


CEBs realiza Caminhada pela Paz no dia do trabalhador

Na manhã do último domingo, dia primeiro de maio, Dia do Trabalhador, e também dedicado a São José Operário, na cidade de Marília, o movimento das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), juntamente as religiões de matriz africana, a Seicho-No-Ie e representantes de doutrinas evangélicas e espíritas, se reuniram na Avenida das Esmeraldas para a Caminhada da Paz.

O evento inter-religioso teve como objetivo a educação para a paz, conforme relatou o senhor Antonio Batista, representante da CEBs na região Pastoral I.

Para o Frei Vinícius Alves de Oliveira, OFM, da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, do bairro Fragata, de Marília, o encontro foi motivo de júbilo, conforme relatou: “Hoje dia do trabalhador(a) tive a grande alegria pela manhã de participar da Caminhada Inter-religiosa pela paz, promovida pela CEBs da Diocese de Marília”.

 

CEBs

O movimento da CEBs é denominado como “um povo que caminha”.
Caminhamos à luz do Projeto de Jesus, chamado por Ele de Reino de Deus. Caminhamos à luz da eclesiologia de Igreja como Povo de Deus, consagrada na Lumen Gentium, documento do Concílio Vaticano II. Caminhamos à luz do sensus fidei, isto é, do sentido, da sabedoria de fé que está na vida do povo. Caminhamos junto com todos/as que acreditam que outro mundo é possível, fazendo da nossa fé uma razão fundamental para não nos desligarmos da vida, da luta pela justiça, da solidariedade, enfim, da busca por uma terra sem males.

 


Papa: todo cristão deve "esculpir" a própria vocação em prol da família humana

Em vista do Dia Mundial de Oração pelas Vocações, Francisco comparou a vocação ao trabalho de um escultor, ou melhor, do "Escultor divino" que, com as suas "mãos", nos faz sair de nós mesmos, para que se delineie em nós a obra-prima que somos chamados a ser.

 

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

 

“Chamados para construir a família humana” é o título da mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, que a Igreja celebra no próximo domingo, 8 de maio.

Enquanto continuam a soprar os ventos gélidos da guerra e da opressão, a intenção do Pontífice é refletir sobre o amplo significado da “vocação”, no contexto de uma Igreja sinodal que se coloca à escuta de Deus e do mundo:

“Queremos contribuir para construir a família humana, curar as suas feridas e projetá-la para um futuro melhor.”

 

A vocação e o "Escultor divino"

Para Francisco, a sinodalidade, o caminhar juntos é uma vocação fundamental para a Igreja e é preciso acautelar-se da mentalidade que separa sacerdotes e leigos, considerando protagonistas os primeiros e executores os segundos. “Toda a Igreja é comunidade evangelizadora.”

A palavra “vocação:  não se refere apenas àqueles que seguem o Senhor pelo caminho de uma consagração específica, pois todos somos chamados a participar na missão de Cristo de reunir a humanidade dispersa e reconciliá-la com Deus.

Francisco comparou a vocação ao trabalho de um escultor, ou melhor, do "Escultor divino" que, com as suas "mãos", nos faz sair de nós mesmos, para que se delineie em nós a obra-prima que somos chamados a ser. E citou uma frase atribuída a Michelangelo Buonarroti: “No interior de cada bloco de pedra, há uma estátua, cabendo ao escultor a tarefa de a descobrir”.

Assim Deus nos vê, explicou ele: naquela jovem de Nazaré, viu a Mãe de Deus; no pescador Simão, viu Pedro, a rocha sobre a qual podia construir a sua Igreja. Esta é a dinâmica de cada vocação: somos alcançados pelo olhar de Deus, que nos chama, e não é uma experiência extraordinária reservada a poucos.

Em cada um de nós, Deus vê potencialidades, às vezes ignoradas por nós mesmos, e atua a fim de as podermos colocar ao serviço do bem comum.

“A nossa vida muda quando acolhemos este olhar”, escreve o Papa. Tudo se torna um diálogo vocacional entre nós e o Senhor, que, se vivido em profundidade, nos faz tornar cada vez mais aquilo que somos e abraçar a vocação ao sacerdócio, à vida consagrada ou ao matrimônio.

 

O amor não é utopia, mas o projeto de Deus

Para além da vocação, há a con-vocação, isto é, a capacidade de caminhar unidos na harmonia das diversidades. Cada vocação na Igreja e, em sentido largo, também na sociedade, concorre para um objetivo comum: fazer ressoar entre os homens e as mulheres aquela harmonia dos múltiplos e variados dons que só o Espírito Santo sabe realizar.

Eis então a exortação do Pontífice:

“Sacerdotes, consagradas e consagrados, fiéis leigos, caminhemos e trabalhemos juntos, para testemunhar que uma grande família humana unida no amor não é uma utopia, mas o projeto para o qual Deus nos criou!”

Rezemos, concluiu o Papa, para que o Povo de Deus, no meio das dramáticas vicissitudes da história, corresponda cada vez mais a esta vocação.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-05/papa-francisco-mensagem-dia-mundial-oracao-vocacoes.html

 


Papa Francisco: que o trabalho seja digno

Trabalho digno para todos e em todos os lugares, defendeu o Papa neste Dia de São José Operário. De modo especial, falou dos jornalistas que se arriscam para noticiar as chagas da humanidade.

No Dia de São José Operário, festa do trabalhador, o Papa Francisco renovou seu apelo para que em todos os lugares e para todos "o trabalho seja digno".

As palavras do Pontífice foram pronunciadas ao final da oração do Regina Coeli deste primeiro de maio. E ao mundo do trabalho, exortou a fazer crescer uma "economia de paz". De modo especial, o Papa fez uma homenagem a todos os operários mortos na realização do seu ofício: "Uma tragédia muito comum, talvez demasiadamente comum".

Francisco citou ainda uma categoria especial de trabalhadores: os jornalistas. No dia 3 de maio, a Unesco promove o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa:

"Presto homenagem aos jornalistas que pagam pessoalmente para servir este direito", disse o Papa, citando dados alarmantes. No ano passado, 47 jornalistas foram mortos e mais de 350 encarcerados.

“Um agradecimento especial àqueles que, com coragem, nos informam sobre as chagas da humanidade.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/papa/news/2022-05/papa-francisco-dia-trabalho-trabalhador-dignidade-regina-coeli.html


Morre Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R. aos 74 anos

Hospitalizado desde o último dia 21 de abril, o missionário redentorista faleceu na madrugada deste sábado (30), em São Paulo (SP)

 

Faleceu neste sábado (30), aos 74 anos de idade, o missionário redentorista Pe. Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.

 

Em nota divulgada pelo Superior Provincial, Pe. Marlos Aurélio, C.Ss.R., a Congregação do Santíssimo Redentor confia "à  proteção do Senhor a vida preciosa do Pe. Luiz Carlos, que sempre fez da espiritualidade redentorista sua melhor companhia".

 

Prossegue a nota:

 

"Seu amor pela Congregação e pela sua família sempre foi característica marcante deste nosso confrade, que hoje celebra sua Páscoa na certeza da ressurreição.

 

Aos familiares e amigos do Padre Luiz Carlos de Oliveira, expressamos condolências e os nossos mais sinceros sentimentos e solidariedade. Que a Mãe do Perpétuo Socorro, sempre presente na vida do tão querido Pe. Luiz Carlos, nos abençoe e nos proteja sempre".

 

Biografia

 

Foto: Alessandro Cardoso

Conterrâneo de Pe. Vítor Coelho de Almeida, nascido no município de Sacramento (MG), em 21 de agosto de 1947, Pe. Luiz Carlos desempenhou diversas atividades na Congregação: foi pároco, trabalhou na formação de seminaristas, foi mestre de noviços, autor de diversos livros, trabalhou no Santuário Nacional e foi secretário provincial. Também escreveu diversos artigos, homilias e reflexões dominicais para o A12, função na qual atuou até março de 2022.

 

Em entrevista ao A12, certa vez o Pe. Luiz Carlos contou a história de sua vocação:

 

"Todos os anos o pároco, Pe. Ivo Soares, vinha para a festa do padroeiro. Meu pai dizia que eu disse que queria ser padre. Ele mostrou-me para o padre dizendo isso. Minha avó dizia que eu disse a ela: 'Vó, um dia eu vou confessar a senhora'. Quando ela estava para morrer, eu já era estudante redentorista, eu lhe dei a comunhão, e ela então disse: 'Posso morrer, porque o Luiz já me confessou'".

 

Em 26 de fevereiro de 1959, Pe. Luiz Carlos iniciava sua caminhada no recém-inaugurado seminário redentorista em sua cidade natal. Contou o padre:

 

"A família decidiu colocar-me nesse seminário que estava ali perto, e não tão longe. Deram-me a vocação redentorista. Não gostei na hora, mas eu tinha 11 anos. Cursava o 3º ano primário".

 

Pe. Luiz fez sua profissão religiosa em 02/02/1968 e foi ordenado padre em 23 de agosto de 1975. Sobre o despertar de sua vocação, ele dizia que a consciência de uma vocação missionária se deu no correr da formação, quando se ficava conhecendo a vida redentorista: "Nunca pensei em sair, sempre gostei de tudo. Passei momentos difíceis, mas foi tudo muito sereno".

 

Missionário comprometido com o povo, o padre dizia gostar muito da vida comunitária e da espiritualidade da Congregação Redentorista:

 

"A vida religiosa não é um desafio, é um dom alegre e que preenche o coração".

 

Reveja também uma entrevista do Pe. Luiz Carlos de Oliveira ao programa Fortes na Fé, da TV Aparecida, onde ele conta mais uma vez a história de sua vocação: https://youtu.be/evxzvGiGtJY

Fonte: https://www.a12.com/redentoristas/noticias/morre-padre-luiz-carlos-de-oliveira-c-ss-r-aos-74-anos


Apresentado em coletiva de imprensa, projeto “Encantar a política” contribuirá para uma formação política permanente

Contribuir para a formação da consciência do eleitor brasileiro, por meio de um processo que o leve a uma leitura crítica e para uma cidadania ativa. É com este objetivo que o Conselho Nacional do Laicato no Brasil (CNLB), em parceria com outros organismos, preparou o caderno “Encantar a política”, apresentado na tarde desta segunda-feira (25), em coletiva de imprensa, pelo presidente da Comissão Episcopal para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e bispo da diocese de Tocantinópolis (GO), dom Giovane Pereira de Melo.

De acordo com o prelado, a iniciativa vai para além das eleições 2022. “Este é um projeto de formação política permanente, que nós desejamos que contribua durante as próximas eleições”, disse dom Giovane, destacando que o processo tem ainda um longo caminho a ser percorrido, por se tratar de um amplo projeto de formação. Desenvolvido por muitas mãos, o texto do “Encantar a política” é inspirado nas encíclicas do Papa Francisco: “Evangelli Gaudium”, “Laudato Si” e Fratelli Tutti”.

“O projeto é um trabalho feito em mutirão. São muitos leigos e leigas, a partir de compromissos de engajamento em movimentos sociais, em organizações sociais da Igreja e em organismos de serviço, que se propõem, de modo muito qualificado, a apresentar e a contribuir com a cidadania. Há, também, uma presença muito forte e marcante dos nossos pastores através do Conselho Episcopal Pastoral (Consep) e do Conselho Permanente, que contribuíram e aprovaram esse projeto”, afirmou dom Giovane.

Mandamento do amor

Além da elaboração do caderno, que servirá de subsídio para as dioceses, os regionais, as paróquias, os movimentos, as pastorais e os demais organismos da Igreja, o projeto visa a promoção de um curso sobre planejamento de campanha, já iniciado e com fila de espera; e a realização de um seminário nacional, de 13 a 15 de maio, em Brasília, com o objetivo de capacitar multiplicadores e parceiros, para que todos os estados brasileiros sejam atingidos. “O texto trata a política como decorrência da ética e do amor e procura atribuir o sentido mais profundo deste mandamento, que é o do amor”, asseverou dom Giovane.

Para que o caderno chegue a todas as regiões do país, incialmente serão impressos 30 mil exemplares, privilegiando o Norte, o Nordeste e o Centro-oeste. Contudo, para que o alcance seja ainda maior, o subsídio ficará disponível no hotsite da CNLB [www.cnlb.org.br], onde também será possível ter acesso a vídeos, podcasts, cards para as redes sociais e outros materiais. “Queremos fazer com que esse projeto chegue a todas as paróquias””, afirmou dom Giovane.

Fazem parte da parceria para o desenvolvimento do caderno o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), a Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), o Núcleo de Estudos Sociopolíticos da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotransformadora, o Movimento Nacional de Fé e Política, a Rede Brasileira de Fé e Política, a 6ª Semana Social Brasileira, a Pastoral da Juventude (PJ), a Pastoral da Juventude no Meio Popular (PJMP,) os Padres da Caminhada, a Rede Brasileira Justiça e Paz e outras organizações.

Saiba mais:
PROJETO ENCANTAR A POLÍTICA DESENVOLVIDO PELO CEFEP E PARCEIROS É APROVADO NA REUNIÃO DO CONSELHO PERMANENTE DA CNBB – CEFEP


Episcopado Brasileiro reflete sobre a comunicação no processo eleitoral de 2022

Teve início nessa segunda-feira, 25 de abril, a primeira etapa da 59ª Assembleia Geral da CNBB, que se realiza até sexta-feira, dia 29 de abril, na modalidade on-line. O último assunto em pauta no período da manhã tratou sobre a comunicação no processo eleitoral de 2022. O assunto foi abordado, em cerca de vinte minutos de exposição, pelo professor emérito da Universidade de Brasília e membro do Observatório de Comunicação religiosa da Igreja no Brasil, Venício Lima.

Professor Venício Lima, membro do Observatório de Comunicação Religiosa da Igreja no Brasil. Foto: print.

O professor Venício partiu do pressuposto do compromisso comum com a democracia, recordando que ela é um regime político caracterizado pela soberania popular com isonomia (direitos iguais de todas as pessoas perante a lei) e isegoria (direito à palavra e liberdade de expressão).

Em seguida, ele aprofundou sobre a questão de como o Brasil vive a democracia, ressaltando que o país ainda é inexperiente nesse âmbito, devido a uma série de questões históricas, dentre as quais estão os meios de comunicação social, com uma grande responsabilidade.

“No Brasil, a mídia constitui um oligopólio do ponto de vista econômico e opera como um monopólio, do ponto de vista político. Esses fatos perpetuam o grande paradoxo da nossa democracia: o direito ao voto foi universalizado, mas se impede estruturalmente a formação de uma consciência democrática. Tudo isso, claro, é a própria negação da isegoria”, explicou o professor Venício.

Ao avançar na reflexão, abordando diretamente o processo eleitoral de 2022, o professor Venício falou sobre alguns desafios do momento atual, como a questão da disseminação de notícias falsas (fake news) e os questionamentos quanto à credibilidade da Justiça Eleitoral (Tribunal Superior Eleitoral). “2022 não é um ano como qualquer outro. Celebramos o bicentenário de nossa independência política. E as eleições gerais que se realizarão em outubro não são eleições como quaisquer outras. A democracia e suas instituições estão sob ataque reiterado e permanente”, frisou o professor.

Para concluir, Venício falou da grande responsabilidade que a Igreja Católica possui quanto à democracia: “Nesses tempos sombrios, quando a democracia se encontra sitiada, a responsabilidade da Igreja e de suas autoridades é imensa. A CNBB, nas suas sete décadas de existência, tem se constituído em referência ética para os movimentos sociais, as lideranças populares e os formadores de opinião”.

Intervenções dos bispos

Após a exposição do professor Venício, muitos bispos se manifestaram. Além de expor suas ideias e preocupações quanto ao assunto, todos expressaram gratidão ao professor pela reflexão apresentada. “Esse entendimento e horizonte de compreensão é uma coisa nova para nós. Precisamos compreender bem o que foi colocado, a fim de darmos uma ajuda mais significativa nesse momento social do Brasil”, afirmou o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor de Oliveira Azevedo.

O bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Vicente de Paula Ferreira, manifestou a preocupação quanto à violência que alguns bispos têm sofrido com difamações nas redes sociais, questionando: “Como a CNBB pode pensar nessa questão, a partir da fala do professor. Sentimo-nos exilados na própria casa, isso tem influenciado nosso ministério e nossa vida. Como vamos tratar isso?”.

Nessa mesma linha de reflexão, o arcebispo da diocese de Cachoeiro de Itapemirim (ES), dom Luiz Fernando Lisboa, afirmou que hoje se assiste à campanhas abertas contra a Igreja, à CNBB e ao Papa Francisco. “Até um simples comunicado tem reações esdrúxulas e violentas contra a Igreja, os padres e os bispos. Isso confunde muito as pessoas. Temos que ajudar nosso povo a aprender e refletir”, disse dom Lisboa. O bispo destacou ainda que é necessário também alguma formação e orientação para os bispos quanto a realidade da comunicação atual.

O bispo da diocese de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferrería Paz, também expressou sua preocupação quanto essa questão da violência e destacou que é importante a formação para os fiéis: “Nossas paróquias têm a Pastoral da Comunicação, que poderia fazer programas contra as fake news. Podemos orientar até as pessoas que vêm à missa, por que o nosso povo é extenso e eles mesmos podem ajudar a multiplicar essa formação”.

O bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação da CNBB, dom Joaquim Mol Guimarães, que fez a mediação do tema, concluiu a reflexão propondo ao episcopado aprofundar, posteriormente, todos os temas levantados pelos bispos com o professor Venício, a fim de oferecer-lhes uma reflexão mais completa.

“Precisamos avançar na compreensão da comunicação em todos os momentos, particularmente nesse que estamos. Não podemos permitir moldar nossa mente por meios comunicação que tem por princípio apenas o lucro”, disse dom Joaquim.

 

Fonte: Episcopado Brasileiro reflete sobre a comunicação no processo eleitoral de 2022 - CNBB


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